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Mídia eletrônica fere Código de Ética dos jornalistas brasileiros

E o que aconteceu no domingo durante a cobertura? A TV Globo, por exemplo, interrompeu a sua programação normal para mostrar imagens, sobretudo da capital paulista, e comentar tão somente as palavras de ordem contra a Presidenta Dilma Rousseff, assumindo a agressividade nela contidas.








Por Mário Augusto Jakobskind

O mínimo que se pode falar sobre a cobertura da mídia eletrônica das manifestações do último domingo (15/3) é que se feriu o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Esse Código em seu artigo 2º, por exemplo, dispõe que como “o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que: I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas”.

SEM CONTRADITÓRIO

No caso da Rede Globo era visível a empolgação de comentaristas e repórteres que, sem a mínima cerimônia ou compostura, endossavam os protestos antigoverno, não dando oportunidade ao contraditório.

As emissoras de televisão estimulavam a presença de manifestantes. E os jornalistas da Globo, postados, segundo eles mesmos, no mezanino da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) não escondiam seu deslumbramento pelos protestos. Era tão visível a torcida que vale então uma pergunta: teriam sido os jornalistas orientados nesse sentido? Foram obrigados a seguir os interesses da emissora?

INFORMAÇÃO É UM DIREITO HUMANO

Se o foram, mais uma vez passaram por cima do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros que em seu artigo 7º, item II assinala que “o jornalista não pode submeter-se a diretrizes contrárias a precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação”. Caso tenham seguido a orientação da emissora sem serem obrigados, também feriram o Código.

Como questões de ética jornalística não se restringem à referida categoria profissional, o tema deve ser debatido por todos os setores que entendem ser o jornalismo não apenas um serviço de utilidade pública, como um direito humano. Ou será que há dúvidas que a informação é um direito humano?

Mário Augusto Jakobskind é jornalista.