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Toque dos sinos no celular

Tradicional forma de comunicação acaba de ganhar aplicativo e plataforma online











Reprodução



Por Maíra Gomes,

De Belo Horizonte (MG)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (IPHAN) declara o Toque dos Sinos em Minas Gerais como patrimônio imaterial. Assim, essa antiga tradição acaba de ganhar espaço no mundo moderno. No sábado (2), será o lançamento do projeto “Som dos Sinos”, que oferece diferentes plataformas para difundir essa peculiar forma de comunicação.

“O sino marca o ciclo da vida, marca a passagem do dia. Há toques para chamar a missa, para o parto, para dar ritmo ao trabalho, para a morte. O sino marca o tempo”, reflete Márcia Marsur, produtora do projeto, que desenvolve com a documentarista Marina Thomé.

Após meses de pesquisa sobre o tema, a dupla realizou diversas viagens para as cidades históricas de Minas Gerais a fim de captar a tradição do sino e a profissão dos sineiros. As mais de 80 horas de material estão disponíveis agora em numa plataforma online com recursos de narrativa multimídia, que deve servir de suporte ao turista e interessando na arte do toque dos sinos. Entre as sessões está “Sons”, uma onda sonora que reúne mais de 100 áudios com toques de sinos e depoimentos da comunidade.

Além do site, o projeto conta com a disponibilização de um aplicativo de celular, que funciona como um como um áudioguia a céu aberto no qual o usuário pode escutar diversos toques de sinos com GPS de localização para igrejas em nove cidades de Minas Gerais. “Queremos que o usuário viva a experiência o mais próximo da realidade. Estando ali, olhar a igreja e ouvir os sinos, é realmente incrível”, explica Márcia.

Nas telas

O projeto também sai do online e propõe outras formas de experimentar o conteúdo. Foram produzidos nove vídeos, que serão exibidos em projeções itinerantes pelas cidades históricas que ainda mantêm o toque dos sinos. “A ideia é valorizar não só a cultura da linguagem dos sinos, mas também a figura do sineiro, que muitas vezes não é reconhecido”, conta Márcia. Também está previsto um longa metragem sobre o tema.

“A experiência foi incrível. A maior emoção de todas é quando você está na torre ouvindo o sino tocar. Ver a cidade lá de cima, conhecer os sineiros, as torres, que são tão diferentes umas das outras. O som do sino é realmente muito emocionante. Queremos que as pessoas possam sentir um pouco isso”, convida a produtora.

Na página somdossinos.com.br, o link Intervenções Públicas apresenta a agenda do projeto, que vai até o dia 16, em Sabará.


O registro do IPHAN tem como referência as cidades de São João Del Rei e as cidades de Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas do Campo, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes. Na tradição dessas cidades, o repertório dos sinos é uma forma de comunicação. Há mais de 40 tipos de toques de sinos e, de acordo com a quantidade e ritmo das badaladas, os moradores sabem o que acontece na cidade, os horários de missa e trabalho a procissões e anúncios de mortes.