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Praça Nossa Senhora da Salete é rebatizada por jovens em Curitiba

Ação foi realizada pelo movimento Levante Popular da Juventude para lembrar o massacre ocorrido na Praça, no dia 29 de abril, e em homenagem à luta dos servidores da educação do Paraná





Foto: Leandro Taques



Por Vanda Moraes,

De Curitiba (PR)

Quem passou recentemente pelo Centro Cívico de Curitiba pode ter notado algo de diferente na chamada Praça Nossa Senhora da Salete, em frente ao Palácio Iguaçu. Em vez do original, uma intervenção com adesivos marca um novo na placa da esquina: Praça 29 de abril. Menos Bala Mais giz.

Essa foi a mensagem escolhida pelo movimento Levante Popular da Juventude para rebatizar o local onde ocorreu o ataque pela força policial do estado aos professores, servidores e funcionários da educação, que se manifestavam contra a aprovação da Lei da Previdência, há um mês.

Laís Melo, do Levante, explica que o ato simbólico foi realizado porque o movimento acredita que a pauta da educação também seja uma pauta central para a juventude militante. “A ação direta é um anúncio de poder nas mãos do povo e a troca das placas tem um objetivo claro de bater na tecla da memória, justiça e verdade”, defende.

A troca aconteceu no último domingo (17), após um encontro realizado pelo movimento que reuniu jovens de Curitiba e Região Metropolitana para debater a situação político-econômica do Paraná e do Brasil, bem como o papel desempenhado pela população jovem no atual cenário. Foram cerca de 120 pessoas concentradas em frente ao Palácio Iguaçu que pediam “Fora Beto Richa”, além de uma reforma política com Constituinte, para garantir participação da população.

Apoio aos servidores

A iniciativa do movimento de mudar o nome da Praça não iniciou e nem encerrou no ato simbólico. Em assembleia, ocorrida no dia 4 de maio, os servidores da educação já haviam aprovado como encaminhamento solicitar a mudança do nome da praça e “29 de abril”.

Além disso, o Comando de Greve ampliado com o Núcleo Sindical Curitiba Norte da APP-Sindicato - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná aprovou, no dia 26 de maio, uma moção de apoio à iniciativa. O documento será encaminhado ao deputado estadual Tadeu Veneri (PT) e protocolado junto à Câmara de Vereadores de Curitiba.

Memória curta

A preocupação dos movimentos sociais com o esquecimento de atos antidemocráticos e que exemplificam a utilização desproporcional da força policial por parte de governantes contra o povo, em especial a classe trabalhadora, se relaciona com outro episódio parecido com este, ocorrido em abril de 1988. Naquele momento, outro governador, também do PSDB, assim como o atual chefe do executivo estadual, foi responsável por tocar cavalos e cães para cima de professores em greve.

Apesar da gravidade desse ato, o então governador Álvaro Dias foi reeleito senador, em outubro de 2014, com 77% dos votos e ocupa uma das três cadeiras paranaenses no Senado Federal, sendo este seu quarto mandato como senador da República.