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“Ao invés de lucro, temos que produzir alimentos”, diz João Pedro Stedile

Dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) defende que a reforma agrária não se resume a distribuição de terras, mas também em enfrentar o modelo do agronegócio.



Por Bruno Pavan,

De São Paulo (SP)

Crédito: Joka Madruga

O membro da direção nacional do Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile reforçou nesta sexta-feira (23), na 1a Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo, que os camponeses precisam oferecer um novo modelo de agricultura para o Brasil.

“A sociedade brasileira enfrenta uma disputa entre dois modelos de agricultura. Um deles é o das transnacionais, que é baseado na produção de commodities e no uso de veneno. O outro é o projeto dos trabalhadores, que significa organizar a agricultura pra produzir alimentos sadios para a população local. Ao invés de lucro temos que produzir alimentos”, explicou.

Stedile contou que a visão sobre reforma agrária, até mesmo dentro do movimento mudou, e que hoje o MST precisa dialogar também com os moradores das grandes metrópoles para que eles percebam o quanto são prejudicados com o consumo de alimentos com o uso excessivo de agrotóxico.

“A população da cidade é que vai desequilibrar essa luta, quando chegar no supermercado e falar ‘não quero mais óleo de soja transgênico, quando disser não quero mais tomate com veneno porque o câncer vai ficar pra mim e não com o dono do supermercado’. Essa conscientização vai nos ajudar pra que o governo se convença que é preciso construir uma nova agricultura e abandonar essa ilusão do agronegócio”, critica.

Participação

Nesta sexta-feira (23), foi realizado ato político de abertura da 1ª Feira Nacional da Reforma Agrária. Estiveram presentes diversas autoridades e membros de organizações sociais.

O integrante da Campanha contra o uso de Agrotóxicos e pela Vida, Luís Carlos Meireles, criticou a influência econômica do agronegócio sobre a política. “É preciso fortalecer o posicionamento contrário à ida da Anvisa para o Ministério da Agricultura”, apontou. A medida, segundo ele, tornaria a fiscalização e regulamentação dos agrotóxicos ainda mais difícil.

Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Agrário, apontou para os desafios postos em relação à questão agrária e a necessidade de revisão do modelo de desenvolvimento no qual a sociedade se baseia. “Vivemos, hoje, uma crise que não é só no Brasil, é uma crise mundial e cósmica que diz respeito ao clima, a água e a terra. Temos que propor coisas novas e não permitir que o dinheiro e o lucro definam a nossa vida e futuro”, afirmou.

Feira

Mais de 800 agricultores e agricultoras de 23 estados e do Distrito Federal chegaram a São Paulo para a 1ª Feira Nacional da Reforma Agrária, que acontece de 22 a 25 de outubro, no Parque da Água Branca.

Promovido pelo MST, o evento trará 200 toneladas de alimentos saudáveis a preços populares, além de shows, seminários e uma praça de alimentação com comidas típicas de todo o país.