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Vito Giannotti é homenageado no 21° curso anual do NPC

Rio de Janeiro terá Dia da Comunicação Popular para celebrar legado do mestre.


Por André Vieira,

Do Rio de Janeiro (RJ)

Curso de comunicação popular no Paraná homenageia Giannotti (Foto: Stefano Figalo)

Mais que um curso em homenagem, uma prática cotidiana para celebrar uma das figuras mais influentes da comunicação de esquerda da América Latina. Em sua 21ª edição, o Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), realizado no Rio de Janeiro, pela primeira vez não contou com a presença física de um de seus criadores: Vito Giannotti, falecido no dia 24 de julho de 2015, aos 72 anos. Porém, impossível não sentir naquele espaço a presença marcante de Vitão, como era conhecido por seus amigos.

Na noite do dia 19 de novembro, Giannotti recebeu da Câmara dos Vereadores da Cidade do Rio e da Assembleia Legislativa do Estado as medalhas Pedro Ernesto e Tiradentes, respectivamente. São as maiores condecorações de cada casa legislativa, que foram oferecidas pelo vereador Renato Cinco e pelo deputado estadual Flavio Serafini, ambos do PSOL. A homenagem foi recebida por sua companheira de vida e também coordenadora do NPC, Claudia Santiago, e sua enteada Luisa Santiago. “Eu contei pra ele que ele ia ganhar a medalha. Ele sabia”, lembrou Claudia.

“Impossível não sentir falta do Vito. Planejamos fazer essa homenagem quando ele estava vivo, mas, por conta de sua correria, Vito não deixou. O curso do NPC é o exemplo de que a semente vai continuar”, disse Cinco na homenagem. O vereador revelou ainda que já está com um projeto na Câmara do Rio para criar o Dia da Comunicação Popular, que será celebrado no dia 24 de julho, dia da partida física de Giannotti.

Brasil inteiro

Foi difícil saber de algum estado que não esteve presente na homenagem. Importantes figuras políticas vindas de diversas regiões não deixaram de tomar lugar numa grande fila para falar daquele velho companheiro, que passou por todo o país levando a comunicação popular como bandeira de luta.

“A comunicação popular no Paraná deve muito ao Vito Giannotti. Temos que vestir nossos heróis”, declarou a jornalista Ednubia Ghisi enquanto segurava uma camisa com a foto de Vito. Em seu estado, um importante espaço de formação de militantes também prestou homenagem, passando a ser chamado Curso de Comunicação Popular do Paraná Vito Giannotti.

Vito Giannotti fazia parte do conselho editorial do Brasil de Fato (Foto: NPC)

Morador da Favela Santa Marta, zona sul do Rio, Repper Fiell conheceu Giannotti em 2009 no processo de criação da Rádio Comunitária Santa Marta, mais tarde reprimida e fechada pela Polícia Federal. Como o morro não tem ruas, todo o acesso é feito por escada. “O Vitão subiu 788 degraus para chegar em nossa favela”, contou Fiell acrescentando que Giannotti não deixou de falar bons palavrões para minimizar o cansaço da subida. Hoje, a música do rapper tem grande influência dos ensinamentos aprendidos com o NPC.

Quem foi Vito?

Nascido em 1943, na Itália, Vito Giannotti teve uma vida inteira dedicada à luta pelos direitos dos mais pobres. Em São Paulo, trabalhou como metalúrgico e foi dirigente sindical, sendo preso e torturado durante a ditadura civil-militar brasileira. Escritor de mais de 20 livros sobre comunicação e sindicalismo, fundou o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) no Rio de Janeiro, responsável pela formação de diversos comunicadores populares pelo país. Vito também fazia parte do conselho editorial do Brasil de Fato.