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“É preciso criar um novo modelo econômico na América Latina”, diz especialista

Em debate sobre os rumos da região, Breno Altman, editor do portal Opera Mundi, aponta que “passou da hora” dos governos progressistas começarem a cuidar melhor da economia.


Por Bruno Pavan,

De São Paulo

As atuais vitórias eleitorais na Argentina e na Venezuela são “as vitórias da contrarrevolução” que se iniciou em 1999. Essa foi análise a qual concordaram o jornalista especializado em temas internacionais, Breno Altman, e o integrante do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), José Rinaldo.

Sob o título “Pra onde caminha a América Latina?”, eles participaram, na segunda-feira (7), de um debate no Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé. O debate ocorreu um dia após a direita ganhar a maioria das cadeiras no parlamento venezuelano.

“Os pontos mais salientes dessa ofensiva do grande capital e dos Estados Unidos são a tentativa de golpe no Brasil e as derrotas das forças progressistas na Argentina e na Venezuela. Se não conseguirmos reverter esse quadro, viveremos um momento de treva”, disse Rinaldo.

José Rinaldo, Maria Inês Nassif e Breno Altman | Foto: BdF

Erros na economia

Para Altman, editor do portal Opera Mundi, os principais motivadores das derrotas eleitorais da esquerda na Argentina e na Venezuela foram as dificuldades econômicas pelas quais passam os países. A Argentina está com alta taxa de inflação e a Venezuela em uma crise fiscal, cambial e de abastecimento para a população.

O jornalista explicou que as dificuldades econômicas ocorrem devido às limitações das reformas na Venezuela, que apesar de ter melhorado a vida da população e distribuído mais a renda do petróleo do país, não conseguiu montar uma nova base produtiva e um modelo econômico que não dependesse mais do capital estrangeiro e das importações de bens básicos como alimentos.

“O Estado foi capaz de influenciar na demanda, aumentar salários e redistribuir renda, mas não resolveu a questão da produção. A população entrega o seu apoio aos governos revolucionários se esses conseguirem responder às suas necessidades básicas. Não tem como substituir a economia pela mobilização social”, apontou.

A partir de abril de 2016, a população venezuelana poderá convocar o referendo revogatório do mandato de Nicolas Maduro. Caso a maioria da população opte pelo afastamento do presidente, novas eleições serão convocadas imediatamente. Para Altman, Maduro precisará dar sinais de mudança na economia caso queira que seu mandato dure até 2019.

“A ampulheta do Maduro é curtíssima e ele vai precisar dar vários passos atrás no processo revolucionário, fazendo pactos com a burguesia nacional, para conseguir sobreviver ao referendo “, concluiu.