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Único levado à Justiça por estupros na USP é ex-PM e já foi condenado por homicídio

Daniel Tarciso da Silva Cardoso já havia sido setenciado por matar um homem com oito tiros durante uma briga no carnaval de 2004; Caso não haja nova prorrogação de sua suspensão na USP, ele pode se formar neste ano.



Da Redação

Reunião da CPI do Trote na Alesp | Crédito: Márcia Yamamoto e Marco Antonio Cardelino/Alesp

Estudante da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e ex-policial militar, Daniel Tarciso da Silva Cardoso é o único réu que sofreu punição, considerando as dez acusações de estupro levadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Trote, que durou de 2014 a 2015, e investigou violações de direitos humanos em instituições de ensino paulistas. Cardoso, no período em que foi PM, de 2004 a 2008, foi condenado por homicídio.

Segundo informações do Relatório da Rede de Proteção às Vítimas de Violência nas Universidades, resultaram em sindicância apenas três dos dez casos de estupro denunciados nessa CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), e um em punição de suspensão. Seis desses casos são da FMUSP. O relatório foi obtido pelo Estado de S. Paulo.

Em maio de 2015, um pedido feito pelo Ministério Público foi aceito pela justiça e tornou Daniel Cardoso réu do processo em que é acusado pelo estupro de uma aluna de enfermagem em uma festa da faculdade, a Med Pholia.

O estupro, ocorrido em 2012, aconteceu logo após a vítima beber um drinque oferecido pelo ex-PM. De acordo o relato feito pela garota, ela perdeu os sentidos e só acordou novamente na Casa do Estudante, um alojamento estudantil, com Daniel em cima dela. Em depoimento, a vítima disse que gritou muito e tentou escapar, mas não conseguiu, porque Cardoso aplicou golpes de judô. O processo tramita em segredo de justiça na 23.ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda.

Inicialmente, a pena da USP para o aluno era a suspensão por apenas seis meses, mas após pressão de estudantes e devido ao caso ainda não ter sido julgado oficialmente, a instituição prolongou por mais um ano. Caso não haja nova prorrogação, o réu pode se formar neste ano, por já haver cumprido os créditos exigidos na graduação.

Ainda há a suspeita de que Daniel Tarciso da Silva Cardoso tenha estuprado ao menos mais uma aluna da USP, de acordo com um processo administrativo da USP. Seu nome também está envolvido em um episódio de assédio em que ele teria tirado fotos de uma estudante seminua e ameaçado vazá-las na internet. As informações foram relatadas pelas vítimas aos deputados da CPI do Trote.

Homicídio

Em 2004, quando ainda era PM, Carvalho matou um homem com oito tiros durante uma briga de carnaval. O conflito teria começado porque a vítima se insinuou para ele, durante a passagem de um bloco, segundo informa o Estadão. O Tribunal de Justiça Militar (TJM) alegou que, como Cardoso praticou o crime quando estava em horário de folga, foi processado pela Justiça comum.

Daniel foi denunciado por homicídio doloso (com intenção de matar), mas acabou sendo condenado por homicídio culposo (sem intenção de matar), alegando que ele havia matado a vítima em legítima defesa. Mesmo assim, o júri considerou que houve excesso por parte dele por ter disparado oito vezes. Em agosto de 2012, o Tribunal de Justiça acatou o pedido de recurso e extinguiu a pena.

Com informações do jornal Estado de S. Paulo