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MPL divulga trajeto dos atos que ocorrem nesta quinta-feira em SP

Terceira manifestação contra aumento das passagens terá duas concentrações simultâneas.


Da Redação

De São Paulo (SP)

Crédito: Victor Tineo

O Movimento Passe Livre (MPL) divulgou, na tarde desta quinta-feira (14), quais serão os trajetos do terceiro protesto contra o aumento das passagens em São Paulo. O protesto terá duas concentrações simultâneas, uma no Teatro Municipal, centro, e outra no Largo da Batata, zona oeste. Os manifestantes devem começar a se reunir nos pontos de encontro a partir das 17h.

Segundo o texto publicado pelo movimento, “o trajeto do Theatro Municipal vai passar pela Prefeitura e Secretaria de Segurança Pública, subir a Avenida Brigadeiro até a Paulista e terminar no Masp”. O segundo percurso “vai subir pela Avenida Faria Lima, passar pela Praça Panamericana, atravessar a ponte da Cidade Universitária, pegar a Avenida Vital Brasil e terminar no Metrô Butantã”.

O MPL também afirmou que não se intimidou com a repressão ocorrida no último ato e não irá se “reunir com essa polícia. Continuaremos na luta contra o aumento das passagens e por um transporte realmente público”.

No último ato promovido pelo MPL, na terça-feira (12), os manifestantes sequer conseguiram sair da concentração, que ocorreu na Praça do Ciclista, esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação. Cercados pela Polícia Militar, os presentes decidiram ir até o Largo da Batata, sendo impedidos pelos agentes policiais. O que se seguiu foi uma dura repressão à manifestação. Questionada pelo Brasil de Fato, a Secretaria de Segurança Pública não respondeu qual foi o caso que justificasse o início da intervenção, embasando a atuação da polícia na ausência de comunicação prévia do trajeto às autoridades.

Segundo Camila Marques, advogada da organização de direitos humanos Artigo 19, a Constituição não obriga os movimentos a informar qual será o trajeto. “Ao contrário do que o secretário de Segurança Pública disse, é importante lembrar que os organizadores da manifestação têm o direito de escolher o trajeto que ela vai seguir. A Constituição somente pede que a organização avise que vai ter um ato. Não existe regulamentação que informe quais vão ser os trajetos. E nosso entendimento, analisando outras organizações e práticas, é que não é necessário avisar o trajeto, ainda mais que a escolha das rotas naquele momento de assembleia é até uma forma de proteção dos manifestantes”.

Reunião

Após Alexandre de Moraes, secretário de Segurança, anunciar que a medida adotada na terça-feira seria repetida caso o movimento não apresentasse o trajeto das próximas manifestações, uma reunião entre movimentos populares e a a pasta foi convocada para a manhã desta quinta-feira, mediada pelo Ministério Público estadual. O MPL não compareceu, divulgando nas redes sociais o trajeto das manifestações de hoje.

“A gente não foi, porque vemos esse tipo de reunião como uma forma de burocratização. A estratégia do ato deve ser decidida por aqueles que compõe o ato, não pela PM. Com a divulgação prévia [através das redes sociais], teremos transparência, cumprindo o que eles querem, mas não no espaço que eles propuseram. Agora, a responsabilidade sobre qualquer ato de violência que venha a ocorrer é unicamente da polícia”, afirmou Laura Viana, integrante do MPL.

Preparação

Antes dos protestos marcados para o período vespertino, militantes do MPL ocuparam a Avenida Cruzeiro do Sul, próximo ao Terminal Santana, na zona norte de São Paulo, na manhã desta quinta-feira em manifestação contra o aumento da passagem de ônibus.