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Ocupação no Santo Cristo reivindica moradia popular no Rio

Diversos movimentos estão no local. Prédio já é considerado de “interesse social” desde 2006.



Por Fania Rodrigues,

Do Rio de Janeiro (RJ)

Movimento ocuparam prédio do INSS | Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

28 famílias ocuparam, na última sexta-feira (15), um prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no bairro do Santo Cristo, na zona portuária do Rio. O lugar estava abandonado há mais de 10 anos. Em visita à ocupação nesta semana, um representante do governo federal confirmou que o local será destinado a moradia popular.

“O governo tem o compromisso de diminuir a falta de habitações que temos no país. Viemos aqui reafirmar esse compromisso e evitar que os conflitos habitacionais levem à violação dos direitos humanos, através de reintegração de posse com força policial”, disse Eduardo Valdoski, da Secretaria de Movimentos Urbanos, ligada à Presidência da República.

Segundo o último dado atualizado, há 367 mil imóveis abandonados na cidade do Rio. A maioria na região central. E a estimativa é que há cerca de 220 mil famílias sem casa na capital. Essas informações são do Censo de 2010.

Interesse social

O prédio no Santo Cristo já havia sido declarado “local de interesse social” em 2006 pelo Ministério das Cidades. Ou seja, há dez anos o prédio já poderia ter sido destinado a projetos de moradia popular com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida.

Para transformar este edifício comercial em residencial, o prédio precisaria passar por uma reforma. Até hoje, por ser uma obra pequena e de baixo custo, nenhuma empreiteira se candidatou para fazer os reparos no edifício.

Justamente para pressionar o governo federal, a Central dos Movimentos Populares (CMP), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a União Nacional de Moradia Popular (UMP) e o Fórum de Juventudes de Favelas do RJ organizaram essa ocupação urbana.

Divergência

Na visita à ocupação, Valdoski mencionou que as famílias precisam deixar o local para a reforma do edifício. A coordenação da ocupação já afirmou que as famílias não vão sair do prédio e esperam uma negociação.

Na segunda-feira (18), os advogados do INSS entraram na Justiça com um pedido de reintegração de posse. Até o fechamento dessa edição ainda não tinha sido julgado.

Moradia Digna

Uma das ocupantes é Brenda Lopes Barbosa, de 22 anos, que atualmente está desempregada. Ela é a mais velha de oito irmãos e divide com os pais a responsabilidade de garantir uma vida melhor para a família. Eles já moraram em outra ocupação, também no Santo Cristo, por mais de sete anos.

O principal problema é o lugar não adequado para moradia. “Quando chove enche de água e esgoto. Essa semana cortei o pé em um caco de vidro. Com as chuvas a água subiu muito e não dava para ver o chão. O que queremos é só um lugar para viver em paz, seguros, que não molha e que não tenha insetos. Só isso”.

Homenagem

A ocupação foi batizada de Vito Giannotti, em homenagem ao militante sindical e comunicador popular que faleceu em julho de 2015. Em visita à ocupação, sua esposa e companheira de militância, Claudia Santiago, disse estar feliz com a justa homenagem. “Vivemos um momento na cidade em que os pobres foram tirados dos centros e levados para locais distantes, onde têm dificuldade inclusive de conseguir emprego. É muito importante ocupar e destinar esses espaços para a moradia popular”, ressaltou Claudia.