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Largada das eleições em BH

De um lado, a possibilidade de múltiplos candidatos da base do governo estadual e federal. De outro, PSDB e PSB buscam ter candidatura única


Por Rafaella Dotta

De Belo Horizonte

Prazo para definição de candidaturas traz prejuízo aos eleitores| Foto: Guilherme Dardanhan

As eleições municipais se aproximam e os partidos se movimentam para apresentar seus candidatos à população. Em Belo Horizonte, não é diferente. Hoje governada pelo PSB, a prefeitura belo-horizontina deve ser disputada por pelo menos três grandes partidos, o PT, o PMDB e o PSDB junto com PSB e aliados.

Petistas decidem concorrer

A candidatura do PT é uma certeza desde dezembro de 2015, segundo afirma a presidenta estadual do partido, Cida de Jesus. Em 17 de fevereiro, dois nomes se pré-candidataram à vaga, o deputado federal Reginaldo Lopes, o mais votado de Minas Gerais em 2014, e o deputado estadual Rogério Correia, amparado pelo apoio de sindicatos e movimentos sociais. No entanto, nomes como Patrus Ananias, Miguel Correa, Gabriel Guimarães e Helvécio Magalhães também são cogitados.

O PT começa na semana que vem as conversas com possíveis aliados, mas garante que não conversará com o DEM, o PPS, o PSDB e partidos da oposição ao governo federal e estadual, como o PDT. Já com o
PMDB, o acordo é que ambos saiam com candidaturas próprias. “Tudo indica que todos os partidos da base aliada terão candidatos. Daí, nós vamos sentar e dialogar para o segundo turno”, declara a presidenta.

Tucanos querem aliança com PSB

No PSDB, as articulações estão sendo feitas pelo senador e presidente do partido, Aécio Neves, que em 15 de fevereiro esteve em Belo Horizonte para conversas com o PSB. Pelo que afirma o deputado estadual João Leite
(PSDB), seu partido pretende repetir a aliança empenhada em outras capitais, como Recife e São Paulo.

“Duas vezes o PSDB apoiou o PSB na cabeça de chapa aqui, agora o nosso desejo é ter apoio também. Aquele que tem a cabeça tem a possibilidade de ter maior número de vereadores”, lembra o deputado.

Já o presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Pier Senesi, nega que qualquer acordo esteja avançado até o momento. “Não há absolutamente nada definido”, garante. Fontes afirmam que o atual prefeito de BH, Márcio Lacerda (PSB), apoiaria o
PSDB à prefeitura em troca de base para sua candidatura ao governo estadual em 2018.

Definições atrasadas

O cientista político Malco Camargo, pesquisador e professor na PUC Minas, acredita que a reforma eleitoral feita pelo Congresso Nacional em 2015 acabou atrasando a decisão dos partidos. Isso porque alargou o prazo para mudança de legenda até seis meses antes da eleição e deu 15 dias a mais para o registro de candidaturas. Na visão do pesquisador, as mudanças trazem prejuízos aos eleitores. “Quanto mais informações você tem antes, mais pode refletir sobre sua escolha”, defende.

Os eleitores somente terão certeza dos concorrentes em 15 de agosto, último dia para registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As pessoas interessadas em se candidatarem tem até o dia 2 de abril para se filiarem a um partido. De 20 de julho a 5 de agosto será o período oficial de convenções partidárias, em que serão realizadas as decisões de quem concorre às eleições. O primeiro turno para a votação municipal acontece em 2 de outubro e o segundo turno, caso haja, em 30 de outubro.