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Mais de 80% dos jogadores ganham até R$ 1 mil, aponta CBF

Após campeonatos estaduais, 12 mil atletas ficam desempregados


Por Wallace Oliveira

De Belo Horizonte

Profissão de jogador de futebol não é caminho para o sucesso financeiro | Reprodução / CSA

A maioria dos jogadores de futebol recebe baixos salários, segundo um levantamento divulgado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nesta semana. As informações fazem parte do relatório Raio X do Futebol, produzido pela Diretoria de Registro e Transferência da entidade.

De acordo com o relatório, há 28.203 jogadores profissionais no país. Desses, 23.238 recebem até R$ 1 mil em salários, o equivalente a 82,40%; 3.859 jogadores recebem entre R$ 1.000,01 e R$ 5.000,00 (13,68%). Assim sendo, menos de 4% têm salário superior a R$ 5 mil. Apenas 226 jogadores recebem mais de R$ 50 mil, o que não chega a 1% do total. A maioria dos bem remunerados joga na chamada “elite do futebol brasileiro”, composta pelos clubes da série A e parte da série B do Campeonato Brasileiro.

A publicação ressalta que foram contados apenas os salários com registro em carteira de trabalho e contratos, não levando em conta outros vencimentos, como os direitos de imagem. De todo modo, o levantamento desmente o mito, há muito difundido pelos grandes meios de comunicação, de que a profissão de jogador de futebol é bem remunerada e caminho seguro para o sucesso financeiro.

Desemprego

Como se não bastasse a baixa remuneração, parte dos futebolistas enfrenta a falta de atividade ao longo da temporada. Para que se mantivessem empregados e sobrevivessem do esporte, teriam que disputar competições durante o ano, já que os campeonatos são fonte de arrecadação dos clubes e financiamento das folhas salariais.

Dados do movimento Bom Senso Futebol Clube indicam que 684 equipes participam dos campeonatos estaduais, mas apenas 188 têm competições no restante do ano. Não mais do que 100 clubes jogam os campeonatos nacionais. A partir do fim dos estaduais, 12 mil jogadores ficam desempregados.