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Diante de ofensiva da direita na região, Venezuela fala em "ressurgimento do Plano Condor"

Em nota que relembra 52 anos do golpe no Brasil, Caracas diz que opositores de governos progressistas usam "formas não convencionais de guerra"



Do OperaMundi


O governo da Venezuela declarou nesta quinta-feira (31) que o continente sul-americano vive o “ressurgimento” de um Plano Condor e manifestou apoio à presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que enfrenta um processo de impeachment no Congresso.

Foto José Eduardo Bernardes/Brasil de Fato

“A Venezuela alerta sobre o ressurgimento de um novo Plano Condor em nossa região, que tenta, por meio de formas não convencionais de guerra, derrubar os governos progressistas, revolucionários e de esquerda”, diz a nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores venezuelano. O comunicado relembrou o aniversário de 52 anos do golpe de Estado no Brasil, ocorrido em 1964.

A Operação Condor, formalizada em 1975, foi a aliança entre governos ditatoriais da América do Sul para a execução coordenada de ações repressivas contra indivíduos contrários aos regimes militares da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

Segundo a nota do governo venezuelano, as ações contra Dilma e outros governos sul-americanos ocorrem “puramente para satisfazer os interesses geopolíticos da hegemonia dos Estados Unidos”. A nota segue dizendo que “a República Bolivariana da Venezuela reafirma sua solidariedade com o governo da presidente Dilma Rousseff e com o povo do Brasil”.

Também nesta quinta-feira, dia em que diversas cidades do Brasil registraram manifestações pró-democracia e contra o impeachment, o presidente da Bolívia, Evo Morales, voltou a demonstrar apoio à chefe de Estado brasileira. “Nós bolivianos ratificamos o nosso apoio a Dilma e [ao ex-presidente] Lula. Eles não estão sozinhos, estamos com eles”, declarou Morales.

O presidente boliviano criticou as elites do continente, que, de acordo com ele, tentam retornar ao poder por meio de métodos não convencionais. “Eles, junto ao governo dos Estados Unidos, não querem que os trabalhadores governem os povos, e devemos refletir muito bem sobre o que está acontecendo na América do Sul”.

Integrantes do partido salvadorenho FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional), do presidente do país, Salvador Sánchez Cerén, também manifestaram apoio “à irmã República do Brasil”, a Dilma e a Lula.

Em Berlim, manifestantes realizaram um protesto em apoio à democracia e contra o processo de impeachment: