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Casas Abrigo acolhem mulheres em situação de violência em MG

O Estado conta com Casas em Belo Horizonte, Governador Valadares e Uberaba, totalizando cerca de 50 vagas



Por Rafaella Dotta,

De Belo Horizonte (MG)


27% dos homicídios contra mulheres ocorrem dentro de casa | Foto: Reprodução

“Um dos lugares mais inseguros para a mulher hoje é a sua própria casa”, alerta a subsecretária estadual de Políticas para Mulheres, Larissa Borges. Ela cita o Mapa da Violência 2015, relatório que mostra que 27% dos homicídios contra mulheres acontecem dentro de domicílios. O perigo de morte é um dos principais motivos para a existência das Casas que recebem mulheres que não podem continuar morando em suas residências, junto ao agressor.

Em Minas Gerais, três cidades possuem Casas Abrigo para mulheres em situação de violência: Belo Horizonte, Governador Valadares e Uberaba, totalizando cerca de 50 vagas. Nelas, as mulheres recebem tratamento psicológico, social e jurídico e podem permanecer por três meses, prorrogando o tempo, se necessário. As casas, que têm seus endereços resguardados, recebem também os filhos das vítimas.

Superação

2003 foi o ano de Francisca Maria da Silva, a Xica, sair da situação de violência em que vivia. Ela passou por dez anos de cárcere privado, espancamentos e dois abortos forçados em seu próprio banheiro. A decisão de sair de casa aconteceu quando ficou sabendo que em Belo Horizonte poderia ser acolhida na Casa Abrigo Sempre Viva.

“O mais importante é a mulher saber que pode ser abrigada, ela cria forças, que é o mesmo que criar asas”, diz Xica. “Nós que sofremos violência não conseguimos sair sozinhas”, completa. Xica se tornou uma empreendedora nos dias de convivência no abrigo, criando uma cooperativa com outras mulheres. Hoje, ela é coordenadora do Fórum de Economia Solidária. “Sei que tenho valor. Sou protagonista da minha vida”, garante.

Procurando ajuda

De acordo com a coordenadora do Centro de Atendimento à Mulher (Cerna), Lúcia Helena Apolinária, os abrigos são a última, mas importante, opção. “Nem todas as mulheres agredidas necessitam ou querem o abrigamento”, fala. Antes de acessar esse serviço, as vítimas podem passar por uma série de atendimentos fornecidos pela Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, desde as delegacias especializadas até consultas psicológicas.

Ocupação exige nova Casa Abrigo em BH

Ocupação já dura quase um mês | Foto: Reprodução

Desde o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, um prédio na Rua Guaicurus segue ocupado por mulheres que requerem uma nova Casa Abrigo em Belo Horizonte. O local é de responsabilidade do Tribunal Regional do Trabalho e estava abandonado há 9 anos, segundo Thatiane Matia, integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário e uma das organizadoras da ocupação.

“Hoje existe apenas uma casa, com 13 vagas, para atender a toda a região metropolitana de BH”, destaca Thatiane. Segundo números da Secretaria estadual de Defesa Social de 2015, foram recebidas em média 350 denúncias de mulheres violentadas por dia em Minas Gerais.

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), proprietária do prédio, afirma que notificou as ocupantes em 11 de março quanto ao que considera “ocupação irregular” do imóvel. O movimento permanece no local e afirma que somente desocupará o prédio caso seja transformado em centro de serviços à mulher.

Dica

No momento da violência, a indicação é ligar para o 190. Depois do momento da urgência, a orientação é ligar para o 180, a Central de Atendimento à Mulher, ou procurar a Delegacia da Mulher.