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Argentina: Mauricio Macri aparece como vice-presidente de nova empresa offshore

Kagemusha S.A foi registrada no Panamá em 1981 e possui capital de US$ 10 mil; Macri já havia sido citado nos "Panama Papers" por empresa nas Bahamas


Do Opera Mundi


Presidente argentino foi citado em segundo caso de empresa offshore

Foto: Lula Marques/Agência PT

A imprensa argentina divulgou nesta terça-feira (05) que o presidente do país, Mauricio Macri, está envolvido em um novo caso de empresa offshore. Macri, que já havia sido citado pelos “Panama Papers” como presidente de uma companhia sediada nas Bahamas, consta como vice-presidente de uma empresa registrada no Panamá.

A segunda empresa não foi revelada pelos documentos vazados no domingo (03), mas por uma investigação do blog 200 monos, do jornalista argentino André Ballesteros, em registros públicos panamenhos.

A companhia chama-se Kagemusha S.A. e foi registrada em 1981 no Panamá. Segundo o registro, o status da companhia consta como “vigente” e ela possui atualmente um capital de US$ 10 mil (mais de R$ 36 mil). Macri aparece como vice-presidente da empresa, da qual também também fazem parte seu pai, Franco Macri, como presidente, e seu irmão, Gianfranco Macri, como secretário.

“A sociedade foi criada em 1981, mas foi vendida anos depois. [Macri] Não recebeu honorários nem cobrou ganhos dessa sociedade”, disse o governo em comunicado ao jornal argentino Clarín.

Nesta segunda-feira o chefe de Gabinete da Argentina, Marcos Peña, afirmou que “não há nada para ocultar” sobre a empresa offshore Fleg Trading, registrada pelo pai do presidente argentino em 1997 e citada pelos “Panama Papers” com Mauricio Macri como diretor.

“É uma enorme tranquilidade poder transmitir que não há nada para ocultar”, disse Peña a jornalistas na Casa Rosada. Na ocasião, Peña reforçou que o mandatário não fez nada ilegal e que a empresa chegou a ser declarada para a Administração Federal de Receita Pública argentina.

“A empresa não registrou atividade, por isso não havia nada para declarar. É habitual que os empresários coloquem como diretores seus familiares por causa da confiança. Não comunicamos antes porque não havia nada para comunicar”, reiterou o chefe de Gabinete. Peña explicou que a empresa teria servido para realizar um investimento no Brasil que acabou não ocorrendo e, portanto, deixou de operar em 2007.

O próprio presidente, em entrevista ao jornal argentino La Voz del Interior na segunda-feira (04/04), disse não ter feito nada ilegal. “No caso particular do que se refere a mim, é uma operação legal. (…) Me complicaria se eu tivesse feito algo incorreto, mas não fiz nada incorreto. Estou muito tranquilo”, disse Macri.

Kirchenristas exigem explicações e pedem criação e comissão investigadora

Os deputados kirchenristas da coalizão Frente para a Vitória (FpV) exigiram nesta terça-feira que Macri dê explicações sobre as duas empresas offshore divulgadas até agora. O grupo já havia realizado um pedido na Câmara para a organização de uma comissão para investigar o envolvimento do presidente com a Fleg Trading.

“Consideramos que a gravidade das revelações exige uma urgente e exaustiva explicação por parte do presidente sobre sua participação nestas sociedades offshore e as razões pelas quais omitiu esses dados em suas declarações”, afirmaram os deputados em comunicado.

“[Macri] Pode escapar de problemas legais, mas não poderá escapar de problemas éticos”, disse em sessão o deputado pelo FpV Felipe Solá, vice-presidente da Câmara. Para ele, Macri tem a atitude de “um empresário que sente ter direito a tudo”.