Brasil de Fato

Uma Visão Popular do Brasil e do Mundo

Lula envia mensagem de solidariedade ao MST pela morte de camponeses

Ex-presidente participou, nesta sexta-feira (8), de ato em defesa da democracia com educadores e estudantes, em São Paulo (SP)


Por Júlia Dolce,

De São Paulo (SP)


Foto: Júlia Dolce / Brasil de Fato

As mortes de dois sem-terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, no município de Quedas do Iguaçu, região central do Paraná, foram lembradas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta sexta-feira (8). “Queria pedir uma salva de palmas em solidariedade a dois companheiros do movimento sem-terra que foram assassinados ontem no Paraná. Não se sabe se esses companheiros foram assassinados pela polícia ou por jagunços. De qualquer forma são mais uma vítima da falta de respeito pelo povo trabalhador nesse país”, declarou.

Vilmar Bordim (44) e Leonir Orback (25) eram militantes e trabalhavam na organização do acampamento Dom Tomás Balduíno. Foram assassinado na tarde desta quinta-feira (7). Vilmar era casado e pai de três filhos, e Leomar deixou esposa grávida de nove meses.

Em nota, a direção estadual do MST descreveu que a ocasião das mortes se deu enquanto os sem-terra eram emboscados pela polícia militar paranaense. “A emboscada ocorreu enquanto aproximadamente 25 trabalhadores Sem Terra circulavam de caminhonete, há 6 km do acampamento, dentro do perímetro da área decretada pública pela Justiça, quando foram surpreendidos pelos policiais e seguranças entrincheirados. Estes alvejaram o veículo onde se encontravam os Sem Terra”, diz trecho da nota.

Democracia

A declaração de Lula foi feita no início de seu discurso de participação no “Encontro da Educação com Lula em defesa da democracia”, organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e movimentos populares, na zona norte de São Paulo (SP).

Além do ato de solidariedade e denúncia das mortes dos camponeses, em seu discurso, Lula também falou da importância da defesa do mandato da presidenta Dilma Rousseff e sobre a atuação da imprensa ao noticiar o atual momento político brasileiro.

“[As empresas de comunicação] não podem achar que o povo é ‘cabeça de bagre’. (…) Eles colocam 30 minutos destilando ódio contra o PT [Partido dos Trabalhadores], contra a presidenta Dilma. Eles esquecem o papel que nós tivemos. Eles estão agora tentado transformar o Brasil numa sociedade dividida meio a meio, como foi feito na Venezuela. Não irão transformar esse povo maravilhoso, que tem orgulho de andar de vermelho, em um povo raivoso”, disse Lula.

Educação

Para um público majoritariamente formado por professores e estudantes, os projetos públicos na Educação nos últimos 12 anos foram lembrados pelo ex-presidente. “Aqui estão aquelas e aqueles cujo apoio foi decisivo para que no governo federal e a gente tenha conseguido fazer uma verdadeira revolução no ensino superior e no ensino profissional nesse país. Sem o apoio e o compromisso de vocês não teríamos conseguido triplicar o orçamento do Ministério da Educação, criar 19 universidades federais novas, triplicado o orçamento da educação. Sem a consciência e a mobilização de vocês não teríamos criado o Prouni [Programa Universidade Para Todos] e o Fies [Fundo de Financiamento Estudantil], e dobrar o número de estudantes universitários, disse Lula.

Flávia Oliveira, presidenta da União Estadual Estudantil (UEE), destacou que só pode estar presente no evento devido às políticas publicas estudantis do governo PT. “Minha família veio de uma pequena cidade de Minas Gerais, a região do Vale do Jetiquinhonha. Nós viemos pra cá [SP] em busca de uma vida melhor e eu sou a primeira pessoa da minha família a acessar uma universidade, graças ao Prouni. Mas nem todos os meus amigos que cresceram comigo tiveram a mesma oportunidade que eu porque no estado de São Paulo - diferente das universidades federais -, após 20 anos do governo PSDB, o que vemos são salários baixos para os professores e crises nas universidades estaduais. Escolas foram fechadas e até as merendas foram roubadas. Aqui se constrói mais presídios que escolas”, criticou.

A pauta das ocupações das escolas e do desvio da merenda em São Paulo também foi amplamente debatida. A bateria dos secundaristas presentes escolheu fazer jogral durante o ato para se comunicar com o ex-presidente: “Nós, estudantes secundaristas das escolas ocupadas, as escolas que estão sofrendo com o desvio da merenda, enfrentemos a truculência da PM do [governado de São Paulo, Geraldo] Alckmin, e sofremos com o autoritarismo. Viemos dizer que somos filhos do novo Brasil, um Brasil que se desenvolveu nos últimos 12 anos”, disseram.

Em tom elogioso, o ex-presidente saudou a luta dos estudantes no estado paulista, que tem realizado mobilizações cotidianamente. “Aqui estão presentes aqueles que poucos meses atrás promoveram as magníficas mobilizações contra as mudanças autoritárias e antipopulares do sistema de ensino do estado de São Paulo. Estudantes, professores, funcionários das escolas, pais e mães de alunos, obtiveram uma extraordinária vitória da qual todos nós brasileiros nos orgulhamos. Não permitir o fechamento de escolas em São Paulo é uma causa nobre. Vocês vieram aqui hoje para defender uma causa de todo o brasileiro, a preservação do Estado brasileiro e da democracia”, disse.

*Edição: Simone Freire.