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CTNBio regulamenta experimentos com eucalipto transgênico


22/06/2007Renato Godoy de Toledo,da redaçãoA Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na quinta-feira (21) a liberação de plantações de eucaliptos transgênicos. Segundo as normas de biossegurança da CTNBio, essas plantações poderão ser realizados apenas a título de experimentos e devem respeitar uma zona mínima de amortecimento de 100 metros, para evitar contaminação por parte de árvores.Também foi decidido que as empresas que quiserem realizar experimentos com eucalipto transgênicos o devem fazer, no mínimo, a 1 quilômetro de pomares abertos e a 3 quilômetros de regiões de criação de abelhas (apicultura). “Os limites estabelecidos pela CTNBio são ridículos. A própria comissão fez estudos que apontam que o pólen dos eucaliptos podem viajar por até 15 Km, no entanto, aprovam uma zona de amortecimento de 100 metros”, afirma Maria Rita Reis, da ONG Terra de Direitos. Ela relata que os experimentos com eucalipto transgênico já acontecem desde 1998. Em janeiro de 2007, a CTNBio ordenou que os experimentos fossem cessados, mas depois regulamentou os experimentos. “Há muitos países do mundo em que o eucalipto transgênico é proibido, pois o grau de contaminação é muito maior que outros produtos, como a soja”, diz.Maria Rita explica que o eucalipto é mais arriscado, pois as empresas os cultivam por mais de dez anos, além de estes possuírem alta capacidade de proliferar os seus pólens. A questão dos eucaliptos é vista, ainda, com maior preocupação por ambientalistas, mesmo em relação aos plantios de eucaliptos convencionais. Segundo um estudo realizado por Ivonete Gonçalves, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes), uma árvore de eucalipto consome cerca de 20 litros de água do solo por dia. Dessa forma, as plantações de eucalipto são responsáveis pela criação do chamado “deserto verde”.InteressadasA liberação de estudos com eucalipto transgênico pode representar um passo para a comercialização de árvores geneticamente modificadas. Segundo Maria Rita, a medida da CTNBio vai intensificar a produção de eucalipto. Para ela, há três empresas de celulose interessadas em plantar eucalipto transgênico no Brasil: Arbogem, International Paper e a Alellix, empresa do grupo Votorantim, do empresário Antonio Ermírio de Moraes.A Terra de Direitos, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, a Associação Nacional de Pequenos Agricultores entraram na Justiça com um pedido de liminar contra a liberação do milho transgênico, aprovado em maio pela CTNBio. Na segunda-feira (18), a Justiça Federal de Curitiba determinou que a CTNBio não tome nenhuma decisão sobre a liberação do milho transgênico até que seja apreciado o mérito do pedido de liminar. Esta decisão ainda é válida.