Brasil de Fato

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Pelé e nossos ídolos

Quando converso com meus filhos eles sempre perguntam: Pelé era melhor que Maradona?



Roberto Malvezzi (Gogó)



Quando converso com meus filhos eles sempre perguntam: Pelé era melhor que Maradona?

Respondo que só faz essa pergunta quem nunca viu Pelé jogar. Chutava com as duas pernas igualmente, cabeceava, driblava, lançava, marcava de bicicleta, arrancava, dava passes perfeitos, tabelava com Coutinho para enlouquecer qualquer zagueiro. Um dia, o goleiro do Santos saiu do jogo, ele substituiu o goleiro e fechou o gol.

A primeira vez que vi um jogo de futebol foi Santos e América de Rio Preto. Fui levado por um tio que faleceu esses dias. Década de 60, eu era um menino. Imaginem a magia que era estar ali para ver Pelé!

Ficamos atrás do gol, no campo do América. Lá pelos 15 minutos um pênalti para o Santos. Pelé bateu. Reis, o goleiro, num canto e bola no outro.

O time que estava em campo é até hoje considerado um dos melhores de todos os tempos. Gilmar, Durval, Pepe, Pelé, Lima, assim por diante. Mas, não adiantou, o América virou e ganhou o jogo por 2 x1. Pelé, machucado, ficou na ponta esquerda. Naquele tempo não havia substituição.

Depois ainda vi Pelé fazer o diabo num jogo contra o Corinthians no Morumbi. Santos 4 x 0. Ainda vi a despedida de Pelé da seleção no Maracanã. Estávamos a passeio com alunos de classe. Coisas da vida.

Quando menino sabíamos que o Santos entraria em campo com “Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe”, o Palmeiras com “Dudu e Ademir”, a Portuguesa, com “Almir, Dida, Evair e Nilton”, o Corinthians com “Tião e Rivelino”. Nossos ídolos atravessavam a vida profissional praticamente num só clube.

Hoje o capital e as máfias tomaram conta do futebol. Alguns jogadores ganham rios de dinheiro porque produzem mares de dinheiro. Resultado, com pouco mais de 25 anos já não jogam, não treinam, relaxam e os talentos se acabam cedo. Também não temos mais ídolos, porque, diante da melhor oferta, eles se vão sem dar nenhuma satisfação.

Íamos ao campo, ou ouvíamos o rádio para ver sofrer nas unhas de Pelé, rir dos pobres marcadores do futebol circense de Garrincha, admirar a elegância de Ademir da Guia, torcer pelos nossos clubes. O futebol ainda era romântico, arte, coisa de craque. Hoje é uma máquina de produzir dinheiro, além da violência das torcidas organizadas.

Para um corintiano como eu, só um foi melhor que Pelé: Rivelino. Nesse ponto, concordamos até com Maradona.