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Forças armadas do Egito ou dos EUA?

Por acordo com Israel, militares egípcios recebem anualmente quase 1,3 bilhão de dólares


Eduardo Sales de Lima

da Redação

O povo egípcio vive uma situação de desespero. Seu governo provisório é formado por uma Junta Militar, que tem como principal chefe, Mohamed Hussein Tantawi, ministro da Defesa, considerado por especialistas, como o sociólogo Lejeune Mirhan, mais um fantoche estadunidense.

Os militares egípcios, apesar de respeitados pela população e de terem apoiado as manifestações populares, sofrem de uma relação de dominação por parte de Washington. Desde a assinatura do Tratado de Paz com Israel, em 1979, os Estados Unidos passaram a auxiliar militarmente o Egito com uma quantia em torno de 1,3 bilhão de dólares por ano.

Aliás, o que ocorreu após a queda de Hosni Mubarak foi sintomático. As Forças Armadas do Egito emitiram uma nota dizendo que estão mantidos todos os acordos internacionais. Ou seja, os acordos de paz com Israel e os acordos de paz com os Estados Unidos, sobretudo, estão de pé. “Desde 1979 não dá para os caras prescindirem desse dinheiro, que vai direto para eles; para essa cúpula, esse establishment militar”, ironiza o sociólogo Lejeune Mirhan.

A continuidade desse “benefício” após a revolução soará no mínimo estranha ao povo que passou dias na Praça Tahir.“O Conselho Supremo do exército sempre se beneficiou muito durante a época de Mubarak com o apoio estadunidense ao regime. O receio é que continue havendo o mesmo regime de Mubarak”, explica Arlene Clemesha.

Por toda essa relação de controle por parte de Washington sob o exército egípcio, o que contou mesmo para a queda de Mubarak, sob o ponto de vista da pressão internacional, foi a ação dos Estados Unidos. Para Virgílio Arraes, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a queda de Mubarak se deu sobretudo devido a sua incapacidade de manter o país estável, fator primordial aos estadunidenses. (Colaboraram Renato Godoy de Toledo e Luís Brasilino)