Brasil de Fato

Uma Visão Popular do Brasil e do Mundo

Abandono e criminalização

Coordenadora da Pastoral do Migrante de Rondônia denuncia ataque aos direitos humanos


Eduardo Sales de Lima

da Redação

Cerca de 10 mil funcionários da Usina Hidrelétrica de Jirau ficaram desabrigados após o incêndio nos alojamentos. Os outros 12 mil residem na capital de Rondônia, Porto Velho. Após a revolta, os barrageiros migrantes rumaram à cidade em ônibus ou por meio de caronas.

A empreiteira Camargo Corrêa, responsável pelas obras em Jirau, informou que providenciou alojamento, alimentação, kits de higiene pessoal e transporte desde o início dos tumultos. A empresa também comunicou que foi custeado o retorno de 10 mil trabalhadores a seus estados de origem. A Camargo Corrêa anunciou a paralisação da obra por pelo menos 30 dias. Nesse período, os canteiros estarão ocupados pela Força Nacional de Segurança.

Antes de retornarem, porém, cerca de 8 mil barrageiros permaneceram acampados no prédio do Sesi (Serviço Social da Indústria) da cidade. Segundo informações do dirigente sindical Altair Donizete de Oliveira, do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia (Sticcero), os trabalhadores ficaram abandonados e não receberam nem mesmo alimentação.

Preconceito

No período “pós-revolta”, a situação piorou para os trabalhadores. De acordo com a coordenadora da Pastoral do Migrante em Rondônia, a irmã Maria Ozânia da Silva, a capital de Rondônia testemunha o ataque aos direitos humanos dos trabalhadores. Ela diz que os trabalhadores estão sendo tratados como bandidos, seja por policiais locais, seja por parte dos comerciantes locais. Há informações de que entre as noites dos dias 18 e 19, parte do comércio da cidade fechou as portas. “Nada ocorreu. A Camargo Corrêa mentiu para que toda a sociedade se voltasse contra os trabalhadores. A minha impressão, ou melhor, o meu sentimento é de [estar acontecendo] um profundo desrespeito aos direitos humanos”, critica Maria Ozânia.

A coordenadora da Pastoral do Migrante em Rondônia conta a história que mais a surpreendeu negativamente. “Logo após as manifestações, um senhor, já bem idoso, foi à agência de um banco para retirar seu FGTS para custear sua passagem à Bahia. Mas [na confusão] ele perdeu todos os documentos e o cartão do banco, e o dinheiro não foi liberado. Extremamente triste, ele sentou-se em frente à agência e ficou por lá. Alguns minutos se passaram e a Polícia Militar o maltratou e o expulsou da frente da agência”, relata. (com informações da Radioagência Notícias do Planalto)