Brasil de Fato

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Poema sinfônico para a FAB

Geraldo Vandré garante, desde que regressou do exílio, em 1973, nada ter contra as Forças Armadas


Maria do Rosário Caetano

Especial para o Brasil de Fato

Geraldo Vandré aperfeiçoa, há anos, composição de um poema sinfônico dedicado à Força Aérea Brasileira (FAB). Uma de suas versões foi mostrada, nos anos de 1990, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O compositor garante, desde que regressou do exílio, em 1973, nada ter contra as Forças Armadas. Para comprovar esta avaliação, lembra que, na data de assinatura do AI-5 (13-12-1968), encontrava-se em excursão com o Quarteto Livre (não confundir com o Quarteto Novo, com o qual estava rompido), indo de Goiânia a Brasília, de carro. Depois de cancelar o show brasiliense, ele e os músicos (entre eles, Geraldinho Azevedo) regressaram, em automóvel particular, para São Paulo. “Se as Forças Armadas quisessem me prender, elas contariam com inúmeras barreiras na estrada para fazê-lo”, repete, há anos.

Caetano Veloso e Gilberto Gil, que foram presos no pós-AI-5, testemunham que as forças de repressão caçavam Vandré, sem descanso. O Coronel Octávio Costa (depois diretor da AERP – Assessoria de Relações Públicas da Presidência da República) publicou texto no Jornal do Brasil em que analisava o “teor subversivo” de cada verso de “Caminhando”. Seu “ensaio litero-musical” serviu para exacerbar os já exaltados ânimos da caserna.

O jornalista Enock Byron de Quevedo, radicado em Brasília, testemunhou “o ódio” que o meio militar da época cultivava por Vandré. Seu testemunho: “servi ao Exército em 1970. Os versos de ´Prá Não Dizer Que Não Falei das Flores’, totalmente antagônicos ao espírito ditatorial dominante, eram citados como exemplos da “conduta execrável de um brasileiro”. Servi à 3a. Brigada de Infantaria, que ficava próximo do PIC (Plantão de Investigação Criminal). Na época o PIC era comandado pelo general Bandeira, um integrante da linha dura. Nem Caetano, nem Gilberto Gil, nem Chico Buarque conseguiu convergir/canalizar tanto ódio no meio militar em torno de si quanto o Vandré”.