Brasil de Fato

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Fatos em foco

Tudo indica que a oposição de direita e a mídia conservadora já deixaram o caso Palocci provisoriamente de lado



Hamilton Octavio de Souza


Irresponsável

Já pode ser incluída entre as maravilhas do capitalismo brasileiro a nova lei aprovada pelo Senado que livra os empresários individuais de arcar com os bens pessoais para pagamentos de débitos de suas empresas, inclusive as dívidas trabalhistas. Se a lei for sancionada, só reforça a tradição brasileira de manter empresas falidas com donos muito ricos. As centrais sindicais e os trabalhadores vão silenciar diante dessa manobra?

Caso Palocci

Tudo indica que a oposição de direita e a mídia conservadora já deixaram o caso Palocci provisoriamente de lado, com certeza para ser retomado em melhor oportunidade. O fato de o ex-ministro não ter fornecido para a sociedade o devido esclarecimento de seu faturamento de R$ 20 milhões, em 2010, deixa em aberto a suspeita sobre tráfico de influência e/ou caixa dois da campanha eleitoral. É refém da direita contra os governos Lula e Dilma!

Malandragem

O governo federal publicou, dia 15, nota no Diário Oficial e no jornal O Globo, para tentar cumprir o que foi determinado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre a condenação do Brasil no caso da Guerrilha do Araguaia. No entanto, a nota é parcial e não explicita outros aspectos da sentença, como a exigência de apuração dos fatos e dos culpados pelas torturas e assassinatos. Estão brincando com a violação dos direitos humanos!

Gastança - 1

Assim que foi anunciada a realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, os críticos alertaram que seria muito difícil conter a cobiça dos aproveitadores e corruptos em torno da dinheirama canalizada para o evento. Os fatos estão aí a comprovar que os orçamentos e as isenções fiscais se multiplicam, nem tudo terá transparência para a sociedade e algo cheira muito mal nas relações público-privadas, nas obras dos estádios e de reurbanização.

Gastança – 2

Muito tempo depois de anunciado, finalmente começou a ser construído o novo Estádio do Corinthians, em São Paulo, a ser tocado por empresa privada com apoio do dinheiro público. Entre as surpresas do empreendimento, agora se sabe, o novo campo de futebol obrigará a realocação de dutos da Petrobras instalados no terreno, com custo adicional mínimo de R$ 7 milhões. Vai sobrar para o trabalhador-contribuinte!

Jogo social

Já que as elites nacionais – e seus subordinados – são especialistas em inversão de prioridades, vale reforçar os dados oficiais do último censo: 16 milhões de brasileiros estão na condição de extrema miséria, e desses 25,5% residem no campo, 71% são negros e pardos e 26% são analfabetos. Sem contar a tradicional precariedade no saneamento básico, já que 53% dos domicílios não estão ligados à rede de esgoto!

Mudança real

De acordo com dados divulgados pelo Incra, de 2003 a 2010 aumentou em 48% a área de concentração da terra no Brasil, que tem hoje 130.515 grandes propriedades (área média de 2.440 hectares), das quais 69.233 imóveis são considerados improdutivos, com um total de 228 milhões de hectares passíveis de desapropriação. Ou seja, existem motivos e condições para se fazer uma ampla reforma agrária. Só não faz quem não quer!

Danos gerais

Movimentos sociais e entidades populares do Brasil, Argentina e Paraguai, reunidos dias 16 e 17 de junho, em Foz do Iguaçu, no Encontro Água e Energia: soberania e sustentabilidade dos povos, aprovaram uma declaração com 10 itens, entre os quais os que denunciam o setor elétrico por violações dos direitos humanos, por acentuar as desigualdades sociais e pela prática de “cobrança de tarifas abusivas” em vários países da América Latina.

Agenda combativa

Os movimentos sociais estão organizando várias jornadas de luta para o 2º semestre: a da CUT, dia 6 de julho, pela redução da jornada de trabalho; a do MST, UNE, Andes, de 8 a 12 de agosto, em defesa da educação; a da Intersindical, Conlutas, Andes, de 16 a 24 de agosto, em defesa dos trabalhadores; e a da Via Campesina, de 23 a 27 de agosto, em defesa da reforma agrária e do meio ambiente. Toda força às lutas populares!

Luta quilombola

A titulação do território ainda é a principal luta das milhares de comunidades remanescentes de quilombos em todo o Brasil. Estimativa da Comissão Pró-Índio de São Paulo aponta a existência de 3,5 mil comunidades no país – apenas 6% delas têm o título de suas terras.

Coluna originalmente publicada na edição impressa 434 do Brasil de Fato.