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Por falta de alvará, mais saraus são fechados em SP

Além do bar do Binho, Kassab manda fechar mais dois estabelecimentos em que ocorriam manifestações da cultura popular


da Redação,

A prefeitura de São Paulo mandou fechar no início deste mês o bar do Carlita, local onde ocorria quinzenalmente o sarau Poesia na Brasa, no bairro Brasilândia, zona norte da capital paulista, por falta de alvará de funcionamento. O estabelecimento recebeu multa de R$ 3 mil.

Desde julho de 2008, o sarau realizava atividades culturais dentro de escolas, unidades da Fundação Casa, centros culturais, etc. Ao longo dos quatro anos de existência, o local promoveu o lançamento de seis livros com autores (as) das periferias de São Paulo, principalmente da Vila Brasilândia. O proprietário do bar tentou obter a licença de funcionamento da administração municipal, mas sem êxito.

“Entendemos que as multas aplicadas aos saraus das periferias de São Paulo nada tem a ver com burocracias, alvarás, entre outros documentos, mas sim, representa um ataque sobre nossas organizações, pois o Estado já entendeu a força política do nosso movimento”, diz o manifesto publicado no blog Sarau Poesia na Brasa.

O blog também denuncia que o fechamento do bar pode ter sido motivado pelo fato do local estar na rota de construção da linha 6-Laranja do Metrô, onde casas e comércios serão removidos.

Utilizando outro instrumento jurídico, a prefeitura também fechou o tradicional bar Novo Lua Nova, localizado na rua 13 de Maio, no Bixiga (SP). Através do PSIU (Programa de Silêncio Urbano), a administração de Kassab alegou que o bar estava irregular por não possuir revestimento acústico.

O bar Novo Lua Nova é uma tradicional casa de cultura, onde são realizados shows, sarau poético, mostra de artes plásticas, além da tradicional Feira da Reforma Agrária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O bar é dirigido politicamente por uma cooperativa de boêmios, professores, sindicalistas, artistas, músicos e poetas, todos ligados à resistência cultural de esquerda. Seus espaços são decorados com imagens tradicionais da esquerda mundial e brasileira e painéis relativos aos direitos humanos. Trata-se de um estabelecimento sem fins lucrativos, onde os músicos recebem 100% do courvert e os próprios cooperados aportam recursos para manter o bar em funcionamento.

Em reunião realizada no dia 5 de junho, os cooperados decidiram pedir a solidariedade material e política de todos aqueles que já frequentaram o Novo Lua Nova, bem como daqueles que são contra a perseguição dos espaços culturais de resistência em São Paulo.

“Essa ofensiva do obscurantismo, sob a fachada de uma fiscalização seletiva com objetivos escusos e obscuros, deve parar. A sociedade paulistana deve reagir a mais essa truculência da Prefeitura de São Paulo”, defende a Cooperativa Espaço Cultural Novo Lua Nova em nota.