saga no mar

‘Atravessei meu próprio oceano’, diz ator que interpreta Amyr Klink em ‘100 Dias’

Dirigido por Carlos Saldanha, filme aposta em efeitos especiais e exigiu que ator perdesse peso e ficasse isolado

Divulgação/Fábio Braga/Pivô Audiovisual
Cena do filme “100 dias” em que o ator Felipe Bragança interpreta Amir Klink | Crédito: Divulgação/Fábio Braga/Pivô Audiovisual

No final de outubro, chega aos cinemas de todo o Brasil o filme “100 Dias”, que conta a saga do navegador Amyr Klink em sua histórica travessia solitária pelo Oceano Atlântico em um barco a remo. A obra, dirigida por Carlos Saldanha, busca retratar fielmente o feito monumental de cruzar 7 mil quilômetros, da Namíbia até Salvador.

O ator Filipe Bragança, que interpreta Klink, fala ao Conversa Bem Viver sobre o desafio que foi participar do filme pela escala sem precedentes da produção no Brasil. “Atravessei meu próprio oceano durante esse processo. Fazer cinema não é fácil, sobretudo no Brasil. E acho que, como eu falei, realizar um filme tão ambicioso, tão ousado como esse, é um desafio por si só”, pontua. “Amyr Klink é um personagem que é um prato cheio para qualquer ator. E acho que é um personagem raro na carreira de qualquer ator, inclusive. É um filme que consegue tratar de uma jornada muito íntima, muito pessoal e de muita coragem”, completa.

Além dos desafios físicos óbvios, como aprender a remar e perder dez quilos para se assemelhar fisicamente a Amyr, Bragança mergulhou em um isolamento voluntário para compreender a solidão do navegador. O processo permitiu experimentar uma solitude similar à que o protagonista viveu no mar.

A produção utilizou estruturas complexas em estúdio, incluindo um tanque enorme com máquinas de ondas e turbinas de vento para simular tempestades. Bragança destaca que, curiosamente, as simulações foram mais desafiadoras que as cenas no mar real, pois exigiram uma composição psicológica. “Eu, particularmente, trabalhei a minha imaginação. E foi divertido, porque eu me senti uma criança brincando. Eu imaginava o céu, eu imaginava o peixe, eu imaginava a baleia, eu imaginava o golfinho. Eu tive que acreditar que eu estava no meio do oceano quando eu não estava”, exemplifica.

Novo fôlego

“Nem todos os diretores de cinema têm tanta sensibilidade e tanta sabedoria para se comunicar com os atores. E o Carlos tem muito essa habilidade e conseguiu criar essa parceria junto comigo, e a gente desenvolveu inclusive uma amizade muito grande depois da experiência do filme. Então, assim, eu acho que é de fato uma epopeia ter feito esse filme”, conta.

Para Bragança, “100 Dias” traz um novo fôlego para o cinema nacional ao focar em uma jornada íntima e humana, diferente da temática político-social comum em outras obras premiadas recentemente. O ator acredita que o filme tem o potencial de inspirar o público e “mostrar que o cinema brasileiro pode ser o que quiser”.

“Principalmente no ano de eleição, a gente pode simplesmente viajar e talvez não pensar tanto sobre os conflitos políticos que a gente tem refletido tanto a respeito nos últimos anos, principalmente através do cinema. E eu digo isso, inclusive, enquanto público, artista e cidadão muito entusiasta do debate político através do cinema. Mas acho que esse filme traz essa autenticidade, essa identidade diferente, mesmo fazendo parte dessa safra dos últimos anos”, analisa.

O ator ressalta que a história de Amyr Klink é um exemplo de coragem e irreverência, oferecendo uma reflexão profunda sobre os processos humanos e a capacidade de realizar feitos extraordinários. “Acho que às vezes a gente esquece de observar outras histórias que são tão poderosas quanto, mas que tratam de reflexões humanas, íntimas, sobre os nossos processos, sobre a possibilidade de encontrar coragem”, resume.

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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