limite da comédia

‘Alguns humoristas parecem só uma metralhadora de ofensas, não têm humor’, diz Daniel Furlan 

Humorista fala sobre o programa Falha de Cobertura e a possibilidade de uma edição durante a Copa Feminina de Futebol

O humorista Daniel Furlan
O humorista Daniel Furlan | Crédito: Renato Parada

“Se alguém souber [qual é o limite], eu gostaria que não me contasse, mas a gente está sempre flertando com ele, sempre andando ao lado de um precipício.” Essa foi a resposta de Daniel Furlan, que, além de comediante, é músico, ator, roteirista e ex-cartunista, sobre qual o limite do humor.

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, o humorista analisou que, naturalmente, seu próprio estilo de comédia leva este limite em consideração, mas ele observa que outros comediantes se valem apenas da ofensa na tentativa de chocar o público e de ser ousado.

“Vejo que alguns humoristas nem consideram que eles estão construindo piadas, parecem só uma metralhadora de ofensas, praticamente xingamentos mesmo, buscando, conscientemente ou não, essa repercussão de horrorizar, mas não estão nem construindo uma piada ali.”

Furlan é um dos autores do “Guia da Copa Falha de Cobertura (Record)”, inspirado no programa Falha de Cobertura, estrelado por ele como Craque Daniel e Caito Mainier como professor Cerginho. A obra, que durante a Copa do Mundo de Futebol ficou em primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos da Amazon, conjuga futebol e humor, trazendo curiosidades e comentários sobre as seleções que estiveram na última edição do mundial.

Ao analisar a atuação do técnico da seleção brasileira, Furlan aponta um descompasso no estilo de jogo brasileiro e nas escolhas do italiano Carlo Ancelotti.

“Achei essa escolha do Ancelotti uma viagem total. Eu acho que não tem nada a ver com a seleção brasileira, não tem nada a ver com a cultura de jogo do Brasil, e isso ficou bem evidente nessa Copa do Mundo. Não vejo muito sentido em trazer um técnico apenas porque ele é vitorioso e sem levar em consideração o estilo de jogo dele e a cultura do futebol brasileiro”, criticou Furlan.

Segundo o comediante, há grande possibilidade de que seja feita uma cobertura, por parte do programa Falha de Cobertura, da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que vai acontecer no Brasil em 2027. Mas ele pondera que a abordagem deve ser diferente do que foi feito este ano.

“A seleção brasileira feminina imprime uma sensação diferente de luta, de garra, e você se sente representado por aquilo, envolvido por aquilo, uma coisa que a seleção masculina perdeu faz tempo. Então, naturalmente, o humor vai para outro lugar, elas têm personalidades diferentes uma da outra”, aponta Furlan.

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Editado por: Rafaella Coury

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