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Franklin Martins: ‘A democracia no Brasil é maior do que o fascismo. E vencerá’

Ex-ministro fala sobre 'Honestino', filme sobre o líder estudantil morto na ditadura e sobre a situação do Brasil hoje

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Ator Bruno Gagliasso interpreta estudante morto pela ditadura
Ator Bruno Gagliasso interpreta estudante morto pela ditadura | Crédito: Luciana Melo

A estreia do filme “Honestino”, em cartaz nos cinemas de todo o Brasil desde a semana passada, acontece em um momento crucial da história, não apenas do Brasil, mas da América Latina, que vive hoje uma verdadeira onda da extrema direita, capitaneada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Dirigido por Aurélio Michiles, amigo do personagem principal, o longa conta a história do líder estudantil Honestino Guimarães, que cursava Geologia na Universidade de Brasília (UnB) e foi preso, torturado e morto pela ditadura militar.

O ex-ministro e jornalista Franklin Martins, que participou do filme, avalia, ao Conversa Bem Viver, que a mistura entre ficção e realidade foi um grande acerto e dá ao filme um frescor do presente, diferente de se o longa fosse totalmente pensado em linguagem documental.

“Usar um pouco da representação com o Bruno Gagliasso humaniza, em vez de ser um documentário, algo do passado, guardado na gaveta. É algo que entra com mais facilidade para dialogar com as pessoas nos dias de hoje”, afirma.

Martins, que militava no Rio de Janeiro, conta que não conviveu com Honestino no dia a dia, mas que ele era a maior liderança do movimento estudantil de Brasília. “O Honestino simbolizava essa coisa que Brasília tinha de renovação. Brasília era mais à esquerda, simbolizava uma coisa nova. E também considero que a figura dele expressa o tamanho da importância do movimento estudantil na época”, argumenta.

Ao ser questionado sobre o atual momento da política, Franklin Martins critica a falta de uma reforma política profunda no sistema, que, há muito tempo, representa a “perpetuação da velha política cada vez pior”.

“E aí ficam os indivíduos fazendo seus acertos por debaixo do pano, muitas vezes acertos ilegais e até desonestos. E isso não pode continuar, porque o voto é importante para colocar no poder, colocar no parlamento pessoas em que o eleitor acredita e confia”, pontua.

Apesar do tom crítico, Franklin também sustenta que a democracia brasileira possui uma resiliência superior às investidas autoritárias, tanto em referência ao bolsonarismo quanto ao movimento atual de avanço da extrema direita na América Latina.

“O Brasil é maior do que esses caras. A democracia no Brasil é maior do que o fascismo. E vencerá”. Para o jornalista, o movimento atual de resgate da memória, por meio de filmes e livros, é fundamental para a rearticulação da sociedade em torno de valores democráticos, servindo como um anteparo contra os anos de destruição promovidos, segundo ele, pelos governos de “[Michel] Temer e [Jair] Bolsonaro, que agiram contra o Brasil”.

Ao traçar um paralelo histórico, Martins utiliza o exemplo da resistência à ditadura de 1964 e à Guerra do Vietnã para ilustrar que é possível derrotar forças aparentemente mais poderosas. Ele argumenta que, se o povo brasileiro foi capaz de vencer o regime militar e se um pequeno país como o Vietnã derrotou a maior potência mundial, o Brasil também é capaz de vencer as “novas formas” de fascismo que se apresentam hoje.

“A luta contra a ditadura restabeleceu no Brasil, e aprofundou, uma consciência da necessidade de democracia e de respeito ao voto”, defende.

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Editado por: Rodrigo Gomes

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