abismo social

Renda dos 0,01% mais ricos no Brasil cresce quase 8% ao ano, 5 vezes acima da média nacional

Relatório da Oxfam Brasil mostra que concentração de riqueza no topo supera o avanço do PIB

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O contraste da favela e o asfalto é um clássico exemplo da desigualdade persistente no Brasil, mas não é o único.
O contraste da favela e o asfalto é um clássico exemplo da desigualdade persistente no Brasil, mas não é o único. | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O relatório da Oxfam Brasil divulgado nesta quarta-feira (19) revela uma imensa disparidade no crescimento da renda no país nos últimos anos. Enquanto a média do avanço da renda das famílias brasileiras em geral foi de apenas 1,4%, a parcela correspondente ao 0,01% mais rico da população, os comumente chamados de “super-ricos”, viu seus ganhos saltarem quase 8% ao ano.

Esse ritmo de enriquecimento é mais de cinco vezes superior à média nacional e supera inclusive o crescimento médio do PIB brasileiro, que foi de 1,8% no mesmo período, evidenciando uma concentração de riqueza extrema no topo da pirâmide social.

Para Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, existe “uma proteção da extrema riqueza”. Além disso, ela aponta que essa realidade não é um fenômeno acidental, mas, sim, um reflexo da estrutura política e social do país. “A desigualdade, de fato, é um projeto, uma intenção”, afirma ao Conversa Bem Viver.

Segundo a especialista, o Brasil enfrenta um problema estrutural em que políticas públicas pontuais de redistribuição de renda são importantes, mas insuficientes para reverter o cenário, pois existe uma manutenção histórica de privilégios que permite que o dinheiro circule de forma a favorecer quem já detém o poder. Santiago avalia que a chave de tudo é rever a forma como o dinheiro circula no país.

“Isso é importante, porque desigualdade não é só pobreza. Quando a gente está falando de desigualdade, a gente está falando fundamentalmente da concentração de riqueza. A desigualdade é, ao mesmo tempo que a gente tem muitos pobres, a gente tem algumas pessoas extremamente ricas que concentram uma renda maior que a da maioria dos pobres. Isso é desigualdade”, reforça.

O estudo também aponta que o poder econômico se transforma em poder político, criando um ciclo de manutenção de privilégios. Santiago ressalta que “as pessoas que são muito ricas enriquecem numa velocidade muito maior do que as pessoas que são mais pobres conseguem superar a pobreza”. Essa dinâmica é alimentada por uma “blindagem” do patrimônio dos mais ricos e por uma rede de influências e lobby que atua constantemente no ambiente político, garantindo que esse grupo capture uma parcela desproporcional da renda total do país, enquanto a maioria da população vê sua renda comprometida pelo consumo e pelo endividamento.

Santiago encoraja as pessoas a buscarem candidaturas que desafiem justamente esse status quo: mulheres negras, LGBT+, pessoas com deficiência, indígenas. “Essas pessoas, chegando ao poder, vão receber essa mesma pressão [do lobby], mas tendem a atuar muito mais de maneira conectada com as agendas do conjunto da população”, acredita.

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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