Grito de liberdade

Fora dos holofotes: série ‘Alucinação’ aborda decisão de autoexílio do cantor Belchior

Dividida em quatro episódios, nova série documental explora busca do artista por liberdade e sentido

Foto de Belchior para a capa do disco "Alucinação".
Foto de Belchior para a capa do disco “Alucinação”. | Crédito: Philips/Divulgação

Dividida em quatro capítulos, a série “Alucinação” conta a trajetória de vida e apresenta a obra do cantor, compositor e poeta Belchior. Baseada no livro “Belchior – Apenas um Rapaz Latino-Americano”, do jornalista Jotabê Medeiros, a produção reflete ainda sobre a decisão do artista de se afastar da vida pública.

Ao programa Conversa bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, o diretor da obra audiovisual, Eduardo Albergaria, relata que o isolamento do artista foi um dos motivadores da série.

“Eu fui atravessado, assim como o Brasil inteiro foi, pela escolha de Belchior, que eu chamo de inverno da vida. E, a partir daquele momento em que ele se autoexilou, eu quis entender de onde vinha aquele gesto no final da vida. E o que entendi é que, mais do que respostas, existiam muitas perguntas que me interessavam investigar.”

O diretor afirma que entende esse movimento como um convite de Belchior para que as pessoas sejam elas mesmas.

“Há um convite a voltar à nossa essência, a recuperar um pouco da vida natural. A vida hoje está quase inumana de alguma maneira. É menos sobre o ato da fuga e mais sobre uma volta à infância, aos nossos desejos lá que não eram atravessados pelo que nos vendem como se fossem inevitáveis”.

Na visão do ator Luiz Carlos Vasconcelos, que interpreta o artista na fase adulta, a ação foi estimulada por uma necessidade de liberdade:

“Ele queria liberdade. Estava com a Edna, no Uruguai, em casa de amigos. Não queria os holofotes, queria ser livre. Eu acho que esse é o ponto. Então, há uma construção midiática, um programa de TV faz um ‘Volta Belchior’, toda uma construção para vender matéria em torno desse cara que só queria poder ser ele mesmo e namorar a Edna apaixonadamente como ele estava por ela.”

Em 2026, o álbum “Alucinação”, que dá nome à série, completa 50 anos de seu lançamento. Para o diretor Eduardo Albergaria, as composições de Belchior ainda seguem atuais.

“O Belchior continua muito atual porque as perguntas que ele fazia continuam abertas. Existe uma coisa que ele coloca na mesa de uma maneira muito objetiva, tanto no seu cancioneiro como na sua vida, que é a busca pelo sentido das coisas. E hoje a gente está vivendo um momento em que o sentido está cada vez mais rarefeito. Um tempo em que a exposição é permanente, a busca por reconhecimento parece inevitável. O gesto dele, esse direito de desaparecer, ele fez o movimento contrário. Depois de alcançar esse sucesso, ele passou a questionar o preço dele”.

A série está disponível na plataforma Globoplay.

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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