Na última quinta-feira (15), faleceu uma das mais importantes militantes feministas do Brasil, Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles. Ela completaria 82 anos em 6 de outubro de 1944.
Nascida na cidade de Contagem, em Minas Gerais, era jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos. Foi também guerrilheira do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, no período da ditadura militar. Presa, resistiu às torturas de Carlos Brilhante Ustra, coronel do Exército Brasileiro e chefe do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna).
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, a socióloga Eleonora Menicucci, ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres e amiga de longa data de Amelinha, conta como foi a atuação de Amelinha após a redemocratização do país.
“Depois que a presidente Dilma [Rousseff] sancionou a Comissão da Verdade — que foi determinante para a derrubada dela, diga-se de passagem —, a Amelinha foi fundamental na capilarização das comissões da verdade pelo Brasil afora, no âmbito municipal, estadual e nas universidades.”
Emocionada, Eleonora lembra a atuação da amiga nos movimentos de mulheres e feministas: “Amelinha nunca abandonou a luta. Amelinha é responsável pela fundação e organização da União de Mulheres, pela construção da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Uma lutadora, batalhadora pelo processo de indenização do Estado para todas nós que estivemos presas e torturadas.”
Teles também foi uma das idealizadoras e coordenadoras do projeto Promotoras Legais Populares, ação que, há mais de 30 anos, leva formação e conhecimento sobre o combate à violência contra a mulher para diferentes territórios. Eleonora destaca que a amiga tinha um perfil de atuação voltado à militância política social.
Eleonora e Amelinha se conheceram ainda na juventude em Belo Horizonte. Ambas nasceram em Minas Gerais. Também estiveram presas juntas no presídio Tiradentes durante um período da ditadura militar. Lá dentro, trocavam sobre a experiência de serem mães e estarem afastadas dos filhos. Foram soltas na mesma data.
“Nós nos encontramos casualmente num congresso de estudantes de enfermagem em Salvador. As duas, sem saber que uma iria, foi muito emocionante. Na mesma mesa para falar sobre a luta pela legalização do aborto. Nossa, que simbólico. Foi muito importante”, relembra Eleonora.
Para a ex-ministra, o legado de Teles é incomensurável e a melhor forma de homenageá-la é com “muita reverência e muita força do movimento social”, com o diálogo e a firmeza que Amelinha sempre teve.
Conversa Bem Viver

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