Atriz, ex-vereadora e ex-presidenta da Funarte no governo Lula, Maria Marighella, neta de Carlos Marighella, está candidata a deputada federal pelo PT-BA pela segunda vez e, junto com outros nomes da classe artística, assinou um manifesto se comprometendo a atuar pelas políticas públicas para o setor audiovisual caso seja eleita para compor a Câmara dos Deputados. O movimento ficou conhecido como “bancada da pipoca”.
Ao Conversa Bem Viver, Maria Marighella avalia o pleito atual como diferente de 2022, pois, durante Lula 3, o Brasil assistiu à retomada de políticas públicas culturais, com a recomposição do Ministério da Cultura, iniciativas de descentralização e incentivos como a Lei Aldir Blanc. “A cultura deixou de ser um acessório e é lida dentro do centro da política, e eu tenho certeza de que o Brasil pode fazer essa bancada e a cultura pode ter um outro protagonismo na agenda nacional”, defende.
Mais do que compor o grupo da cultura, Maria e nomes como Luna Zarattini (PT-SP) — neta de Ricardo Zarattini, o Velho Zara — e Chico Rubens Paiva (PSB-RJ) — neto de Rubens Paiva –, caso sejam eleitos deputados federais, formariam simbolicamente a “bancada da memória”. Embora candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT) também pode ser considerada uma política da “bancada da memória”, porque traz em seu lastro a luta democrática do avô, Leonel Brizola.
Sobre isso, Maria conta que há “uma casualidade linda”, já que seu avô foi eleito deputado federal pela Bahia em 1946, há exatamente 80 anos. “Na bancada comunista que participou da constituinte de 1946. E aquela bancada é muito emblemática para o que a gente diz ser a gênese da nossa Constituição cidadã. Muitas coisas que hoje nós temos na nossa Constituição de 1988, de algum modo, nascem naquele debate, naquela bancada ali de 1946. Uma bancada que foi caçada em 1948”, relata. “Agora, 80 anos depois, a Bahia pode ter uma Marighella novamente no Congresso e acho que esse já é um símbolo muito forte no contexto em que nós vivemos, em que o nosso principal adversário é o bolsonarismo“, avalia.
A candidata também observa que o conservadorismo expresso pelo bolsonarismo não se limita a candidaturas atuais. “São fantasmas, ecos de uma política retrógrada que nós diversas vezes derrotamos e que nós já pudemos apresentar o quão nociva é essa articulação do ódio, do autoritarismo com o capital ultraneoliberal. Ela compõe um ambiente antipovo, antidemocrático, extremamente prejudicial à agenda do tamanho do Brasil”, afirma.
Maria Marighella também afirma que o legado de seu avô se mostra ainda mais fundamental em uma eleição sob a tentativa de interferência externa por parte dos Estados Unidos. “O símbolo de Marighella se presta e empresta a uma atualização do debate e fundamenta a tese pela indústria nacional, pela soberania, pelo direito à terra, enfim, por todo o conjunto de coisas que nós defendemos. Por tudo isso, acho que a memória de Marighella se conecta muito com a juventude que reage a isso e tenho certeza de que, no dia 4 de outubro, a gente tem tudo para definir como o Brasil, o sonho do Brasil, que precisa ter o tamanho do país”, aponta.
Ouça a entrevista completa.
Conversa Bem Viver

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