livreiro e militante

Antônio Jinkings: o comunista que ajudou a difundir a leitura e o pensamento crítico no Brasil

Biografia escrita por sua companheira resgata vida do líder sindical que promoveu leituras de resistência na ditadura

Raimundo Antônio Jinkings, livreiro e militante comunista
Raimundo Antônio Jinkings, livreiro e militante comunista | Crédito: Acervo pessoal

O livro “Meu Antônio” (Ed. Boitempo), escrito por Isa Jinkings, resgata a trajetória de atuação política e a história de vida de Raimundo Antônio Jinkings, com quem ela foi casada por décadas e teve 5 filhos.

Raimundo Antônio Jinkings, além de fundador da livraria Boitempo (posteriormente refundada em 1995), foi um líder sindical e militante comunista, que ajudou a popularizar a leitura e o acesso ao pensamento crítico no Brasil, segundo sua filha, a editora Ivana Jinkings.

“Adolescente, trabalhei na livraria e eu via como ele era tratado. Lá era sempre um centro de reunião de intelectuais, professores universitários, estudantes e da garotada. O segundo andar da livraria, na época da ditadura, era um aparelho clandestino. As reuniões não só do PCB, mas de várias organizações políticas aconteciam lá. Ele era uma pessoa que formava leitores dentro da livraria. As pessoas o procuravam para saber o que ler”, contou Ivana ao programa Conversa Bem Viver.

Na obra, Isa Jinkings retrata o lado acolhedor e amoroso de Raimundo Jinkings, inclusive trazendo relatos de pessoas frequentadoras da Livraria Jinkings. Fundada em 22 de outubro de 1965 na cidade de Belém do Pará, ela antecedeu a criação da Boitempo.

O livreiro mantinha boas relações até com as pessoas sem condições de comprar os livros. “Uma moça contou que ela queria muito um livro, não tinha dinheiro, botou dentro da bolsa. Quando estava saindo, o meu pai chegou, deu um outro para ela e falou: “Olha, leva esse também, porque eu acho que, quando você acabar de ler esse que você está levando, esse vai ser importante’. Ela disse que ficou desconcentrada”, relembra Ivana de um desses relatos.

Raimundo Antônio integrou o Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante o período da ditadura militar no Brasil. Sua filha lembra que, com sua atuação, o pai levou os temas da região norte brasileira para o restante do país. “Ele era, à altura, o único representante do Norte num comitê central de um partido que era na época super importante, que era o PCB. Ele tinha um setor na livraria, que era sobre a Amazônia. Ele projetou o Norte na atuação dele de um modo geral, na atuação política, na atuação sindical, na atuação como intelectual”.

Ivana relata ainda que, diante do papel importante que Antônio como intelectual e líder popular, ela busca sempre fazer um exercício de pensar o que ele pensaria do contexto político atual. Para ela, diante do processo eleitoral à presidência em que vivemos, é papel de todas as pessoas comunistas defender a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A gente vive um momento muito grave, né? Não dá pra gente brincar com essa possibilidade de não ganhar essa eleição, de ter o país entregue para esses fascistas, para esses milicianos novamente”, declarou a editora da Boitempo.

Conversa Bem Viver

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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