alimentação saudável

‘É uma medida feminista’, defende Bela Gil sobre a conquista do fim da escala 6×1 

A chef de cozinha recém inaugurou um restaurante de comidas africanas em São Paulo

Bela Gil, chef de cozinha e ativista alimentar
Bela Gil, chef de cozinha e ativista alimentar | Crédito: Divulgação

Para Bela Gil, chef do restaurante Camélia Òdòdó e ativista alimentar, o fim da escala 6×1 pode ser vista como uma conquista dos trabalhadores com um caráter feminista. Bela é autora do livro “Quem vai fazer essa comida? – Mulheres, trabalho doméstico e alimentação saudável” (Ed. Elefante), obra em que ela discute a relação entre feminismo, trabalho doméstico, valorização da cozinha e alimentação saudável.

“Eu diria que as mulheres talvez se beneficiem ainda mais dessa medida, do fim da escala 6×1, porque a gente sabe que esse trabalho doméstico não remunerado, o trabalho do cuidado, recai majoritariamente sobre nossos ombros. Eu acho que é uma medida inclusive feminista, para além de tudo”, analisou Bela em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato.

Durante a conversa, Bela Gil também comentou as propostas sobre acesso à alimentação saudável nas eleições presidenciais deste ano. “[O Lula] foi o presidente que tirou o Brasil do mapa da fome duas vezes, isso é algo extraordinário. O Flávio, para além de mentir, fala propostas completamente descabíveis e irreais. Além da falta de projetos e políticas relacionadas à alimentação, o que me agoniou foram as promessas completamente mentirosas.”

Ainda em relação ao acesso à comida de verdade, a chef comenta o processo de rotulagem de ultraprocessados. Ela explica que a rotulagem, ao trazer que aquele alimento pode fazer mal à saúde, pode contribuir para a redução do consumo desses produtos. 

“É uma questão de saúde pública. Muita gente questiona, dizendo que é uma forma de cercear a liberdade de escolha. O importante é a gente dar informação; esse é o primeiro passo para uma mudança de hábito. As pessoas precisam ter conhecimento daquilo que elas estão consumindo.”

Para a ativista alimentar, precisa acontecer uma valorização da comida de panela. “A gente precisa tornar a alimentação saudável e a comida de panela mais acessível, tanto em relação a preço quanto ao acesso físico mesmo. Para além da limitação ou do alerta ao consumo de produtos ultraprocessados” completou a chef.

O mais recente empreendimento de Bela Gil é o restaurante Preta Maria, que se apresenta como uma cena afro-brasileira no coração da Mata Atlântica, na cidade de São Paulo (SP). O nome do restaurante é uma homenagem à sua irmã, Preta Gil, que faleceu em decorrência de um câncer no ano passado.

“Africanizar mais a nossa, a nossa vida, a nossa rotina. Eu quero fazer com que as pessoas diversifiquem o vocabulário e conheçam nomes africanos, nomes em Urubá, nomes de ingredientes. É muito bom colocar palavras novas na boca da elite paulistana, é a famosa reparação histórica.”

Conversa Bem Viver

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Editado por: Rafaella Coury

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