Cultura nacional

80 anos de Belchior: ‘Eu e meu pai cantamos as dores do povo brasileiro’, diz cantora Vannick

Em documentário e disco inédito com participações de Don L e Renato Teixeira, filha resgata essência poética de Belchior

O cantor e compositor Belchior
O cantor e compositor Belchior | Crédito: Divulgação/ TV Cultura

Nesta segunda-feira (26), o cantor e compositor Belchior completaria 80 anos de idade. Para marcar a data, a filha caçula e também cantora Vannick Belchior encabeça a realização de um vídeo documental chamado “Belchior 80 anos – Apenas um Rapaz Latino-Americano”.

O longa-metragem de quase uma hora será exibido no Fino da Bossa, em São Paulo. Após o evento, o filme ficará disponível no YouTube da artista. A produção conta com a participação de personalidades — como Caetano Veloso, João Bosco, Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho — e amigos pessoais de Belchior, como Sérgio Zauraski.

Em 2017, Belchior faleceu aos 70 anos, vítima do rompimento de um aneurisma na aorta, mas obras como seu segundo álbum de estúdio, “Alucinação”, seguem atuais no marco de 50 anos de seu lançamento.

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, Vannick Belchior explica que o filme faz parte de um esforço de se conectar com o pai e atualizar a essência de sua obra. A artista também lança neste ano, em duas etapas, o álbum “Meu Nome É Cem”, com canções do compositor.

“A gente traz essa essência da obra de Belchior e eu trago músicas não tão conhecidas. As músicas clássicas são muito importantes de serem cantadas; já tem um lugar no povo brasileiro cantadas por ele. Eu, enquanto filha, enquanto artista, nesse momento de descoberta de linguagem artística, me dá mais liberdade artística, me dá mais liberdade criativa de encontrar a minha própria sonoridade dessas canções.”

A artista pontua que este disco expressa a similaridade de alma entre ela e o pai em cantar as dores do povo brasileiro. “Mas um questionamento que eu trago dentro desse repertório dessas dores: ainda há espaço para o brasileiro sonhar? Quais os sonhos do brasileiro enquanto coletivo, enquanto povo, enquanto nação?”, completa Vannick.

No disco, Renato Teixeira, parceiro histórico de Belchior, canta com Vannick uma versão do clássico “Tudo outra vez”. O rapper cearense Don L participa da música “Meu cordial brasileiro”.

Ao comentar a fase final de vida do Belchior, em que ele escolhe sair dos holofotes em busca de uma vida reclusa, a artista diz que, na época, a ação do pai trouxe sentimentos confusos. Hoje, passados quase 20 anos, lida bem com a situação.

“A gente não vai ter como compreender completamente essa escolha dele. Eu, enquanto filha, decidi aceitar as circunstâncias de vida que proporcionaram esse isolamento, independentemente se foi por completa vontade própria ou não. A minha relação com a obra dele também reparou diversos lugares. E eu deixo aqui um questionamento mais interessante. Antes de ser o Belchior, ele era o Antônio Carlos, o cidadão comum. Eu tenho proposto, em vez de as pessoas ainda estarem buscando cavar a vida do cidadão comum, se questionarem o poder brilhante de uma obra a ponto de estourar pela segunda vez depois que o artista não estava mais vivo.”

Conversa Bem Viver

A sintonia da Rádio Brasil de Fato é 98,9 FM na Grande São Paulo.

Assim como os demais programas da Rádio Brasil de Fato, você pode ter acesso a esse conteúdo com antecedência para reproduzir gratuitamente na sua rádio. Acesse este formulário e faça sua inscrição.

São dezenas de rádios que fazem parte desta corrente!

Editado por: Gia Matheus Almeida

|

Newsletter