O rapper Criolo tem muito a comemorar neste ano: o lançamento do seu primeiro álbum, “Ainda Há Tempo” completa 20 anos; e chega a 15 anos o “Nó na Orelha”, trabalho que o projetou para além da cena do rap de São Paulo.
Além desses grandes marcos da sua trajetória, Criolo foi indicado, junto com o pianista pernambucano Amaro Freitas e o artista caboverdiano Dino d’Santiago, ao Grammy Latino de 2027 nas categorias Melhor Canção em Língua Portuguesa, com a composição “No Vento de Nós”, e Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro Portuguesa Brasileira, pelo disco “Criolo Amaro Dino”, lançado neste ano.
Criolo conta, em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, que o projeto surgiu por um laço de amizade do trio, depois que Dino d’Santiago foi apresentado pelo cantor Milton Nascimento, e também como um reflexo do que eles percebem na juventude atual.
“Isso aqui é só uma resposta do que os jovens têm feito. A gente não é farol para o jovem; o jovem é o nosso farol. Nós somos incansáveis em tentar compreender o que está acontecendo no nosso redor. Porque o coração jovem que traz a inovação vem com força do inédito, desse amor ainda não cansado”, relata o compositor.
Ao refletir sobre essas e outras parcerias em sua carreira, o cantor diz respeitar e aprender com as gerações mais novas e seus novos olhares sobre o mundo.
“Quando eu falo de Amaro Freitas, Dino de Santiago, quando eu falo da tia Leci Brandão, até Nelson Sargento e mestre Monaco, pessoas com quem eu tive a honra de cantar, subir ao palco para aprender. A ancestralidade nos leva para um lugar onde nós relembramos que nós não sabemos qual a idade da nossa alma. A gente conversa sem hierarquias. Elas ficam só para quem inventou isso. Mas não perdemos o conceito de respeito ao mais velho e ao mais novo também, algo novo que inventou e nos trouxe, que nós, como velhos, não percebemos. Então existe esse respeito dentro desse lugar que gira de uma outra forma.”
Conhecido sobretudo pelo seu trabalho no rap, Criolo lembra que seu contato com o samba antecede sua aproximação com a cena do hip-hop no Grajaú, zona Sul de São Paulo, onde foi criado. Quando ele era pequeno, acompanhava o pai, Cleon Gomes, em rodas de samba depois do futebol de várzea da região. Essa raiz no samba se expressou em um álbum do artista totalmente dedicado ao gênero, “Espiral de Ilusão”, lançado em 2017, seu quarto trabalho de estúdio.
“A roda de samba não é completa sem o povo. Ela só é completa se tem o povo junto no astral. Transcende até essa questão de quem toca mais, quem toca menos. São esses lugares de uma comunhão. O que importa realmente é as pessoas estarem ali se confraternizando”, destaca o cantor.
Criolo também fala da força da comunhão do povo nas ruas ao comentar o contexto político. Para ele, este é o momento de se manter a mobilização e se fortalecer. “Nós temos muito a caminhar. Temos aí quem vai cuidar do nosso Brasilzão nos próximos 8 anos: senadores, e deputados federais. E nós temos muito ainda o que respirar, ir para a rua, correr, fazer o nosso melhor dentro do nosso possível e nos fortalecer. Quem sabe cantar, que cante.”
Ainda sobre política, o cantor comentou como se identifica com Luiz Inácio Lula da Silva, eleito mais uma vez como presidente do Brasil. O pai de Criolo é nordestino e também foi um metalúrgico acidentado. “Meu pai, que tanto se acidentou em seu ambiente de trabalho, hoje, aos seus quase 80 anos de idade, carrega no corpo as sequelas do que é uma vida toda dedicada à metalurgia do Brasil”, disse ele, emocionado.
Conversa Bem Viver

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