Cinema de autoria

‘Recife é polo de cinema autoral e isso se deve a quem ficou lá’, diz atriz Virgínia Cavendish

Atriz comenta atuação em drama policial produzido por Kleber Mendonça Filho e destaca a força do audiovisual nordestino

A atriz Virginia Cavendish como Fátima, na série "Delegado".
A atriz Virginia Cavendish como Fátima, na série “Delegado”. | Crédito: Reprodução

A série “Delegado”, drama policial brasileiro dirigido por Leonardo Lacca e Marcelo Lordello e produzido por Kleber Mendonça Filho, acompanha a chegada de um jovem de classe média ao comando de uma delegacia numa região periférica de Recife e traz, com um humor único e pernambucano, temas como corrupção policial e armamento da população.

Para Virgínia Cavendish — que interpreta Fátima, mãe do protagonista Felipe (Johnny Massaro) –, a série apresenta “essa mistura da sagacidade que a gente tem lá, com uma certa antropologia local. Até porque, o que acontece nessa delegacia na periferia de Recife não é o que acontece aqui na periferia do Rio de Janeiro. E esse humor só é possível porque foi escrito por Pernambuco: o jeito de falar, a prosódia, o nosso jeito de interpretar e, inclusive, o próprio Johnny Massaro, que é praticamente o único que não é nordestino, é muito favorável encaixou perfeitamente no personagem”.

A atriz também é produtora de cinema e realizou trabalhos importantes nas telonas. Interpretou Rosinha no clássico “O Auto da Compadecida” e Inaura em “Lisbela e o Prisioneiro”, que também coproduziu com Guel Arraes.

Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, Virgínia comenta a felicidade de voltar a integrar uma produção genuinamente pernambucana.

“Eu já admirava toda essa turma, por conta do jeito de atuar. E foi tudo muito rápido; em quatro dias eu estava filmando. Eu sinto uma atuação tão genuína, e isso aconteceu só porque eu falo o meu sotaque, porque, da noite para o dia, eu tinha intimidade com todo mundo. Eu não sei se é porque era minha terra, ou porque realmente foi um encontro muito legal, potente e criativo, mas sei que deu muito espaço e segurança de atuar”, aponta Virgínia.

Cavendish comenta a efervescência que vive o audiovisual na região Nordeste após “O Agente Secreto” (dirigido por Kleber Mendonça Filho), ganhador do Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Estrangeira e de Melhor Ator em Filme de Drama para Wagner Moura, intérprete do seu protagonista. Agora, “Feito Pipa” (dirigido pelo cearense Allan Deberton) é o representante oficial do Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027.

A atriz destaca a importância do trabalho dos realizadores, que não precisaram migrar para o sudeste para fazer suas produções ganharem repercussão mundial.

“Recife é um dos polos mais criativos, na minha opinião, do Brasil, de cinema de autoria, por trazer coisas novas e corajosas para a tela. Isso só pôde acontecer porque eles [os realizadores] ficaram lá. Isso é maravilhoso! Construíram essa linguagem, não cederam, é muito bonito e engrandece muito o cinema brasileiro no geral”, argumenta Virgínia.

A série “Delegado” estreou no último dia 30 de outubro, com exibição no Canal Brasil semanalmente nas sextas-feiras, às 22h. Os episódios são disponibilizados no Globoplay no dia seguinte.

Conversa Bem Viver

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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