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Em uma eleição com ‘contornos plebiscitários’, católicos podem decidir eleição no domingo, diz analista político

Cientista político Cláudio André analisa reta final marcada por polarização, voto útil e estratégias defensivas

(COMBO) This combination of file pictures created on Setember 29, 2026, shows Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva at the Planalto Palace in Brasilia on September 16, 2026; and Brazil's right-wing Presidential candidate Flavio Bolsonaro at the Maracanazinho gymnasium in Rio de Janeiro, Brazil, on August 22, 2026. Brazilians will go to the polls next October 4 once again deeply polarized and under the shadow of US President Donald Trump, who has backed conservative candidates in recent elections in Latin America. (Photo by Evaristo SA and Mauro PIMENTEL / AFP)
Lula e Flávio Bolsonaro | Crédito: Photo by Evaristo SA and Mauro PIMENTEL / AFP)

A reta final antes do primeiro turno das eleições presidenciais segue com acirramento da polarização, reviravolta e cancelamento do debate na Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Flow podcast, Flávio Bolsonaro em live e os impactos da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.

Os dois principais candidatos têm apostado em um discurso ao eleitorado de unir forças para terminar a eleição no primeiro turno, lançando mão, até mesmo, do argumento do voto útil.

Ao BdF Entrevista, o cientista político Cláudio André destacou que a conjuntura política de 2026 se conformou em um cenário complexo, marcado por sobrecarga de pesquisas e movimentações estratégicas de última hora antes da ida às urnas.

Para André, a ausência dos líderes nas pesquisas no debate que acabou não acontecendo refletiu decisões defensivas de ambos os lados. Segundo ele, o presidente Lula buscou se preservar de um ambiente desequilibrado, enquanto Flávio Bolsonaro também optou por se resguardar. “O presidente Lula entendeu que havia ali uma estratégia de que ele não participaria de um evento, de um momento que fosse desequilibrado quanto à presença de outras candidaturas”, afirmou o cientista político.

Para o professor, o episódio evidencia a necessidade de rever o formato atual dos debates, que frequentemente expõem os candidatos a ofensas e dinâmicas de provocação superficial. “A gente vai precisar, de fato, remodelar a maneira como a gente pensa os debates. E, sobretudo, eu penso que alguma medida de respeito à liturgia daquele cargo, que é o de presidente da República, tem que ser considerada”, pontua.

Com um cenário em que a maior parte dos votos já está definida entre Flávio e Lula, um segundo turno é o resultado mais provável, em que a rejeição será o fator determinante. “De fato, a gente pode ter como viés enxergar um segundo turno, em que a gente vai ter uma eleição plebiscitária, em que se elegerá aquele candidato que seja menos rejeitado”, aponta.

Nesse sentido, Cláudio André coloca a questão envolvendo Nossa Senhora Aparecida como um ponto decisório, especialmente entre o eleitorado católico. “A gente está falando da maior parte do eleitorado brasileiro, que se identifica com o catolicismo”, frisa. Para o especialista, em uma disputa acirrada e definida nos detalhes, os ataques direcionados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) provocaram ruídos que expuseram contradições de contornos morais, criando espaço para uma mudança de postura por parte dos fiéis. “Nesse aspecto, o que aconteceu nas últimas semanas foi exatamente um grande ruído de informação e de debate, mostrando o quanto Flávio Bolsonaro é oportunista na relação que ele tem com vários segmentos da sociedade civil. E vejo que os católicos podem reorientar o seu voto de maneira pragmática”, avalia.

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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