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Eleições 2026: como Lula pode virar o jogo no segundo turno?

Juarez Guimarães lista aspectos que explicam crescimento de Flávio Bolsonaro e aponta caminhos para Lula reverter quadro

Brazil's President and presidential candidate Luiz Inacio Lula da Silva holds a red star during a campaign rally at the Sao Miguel Paulista neighbourhood in Sao Paulo, Brazil, on September 26, 2026. Brazil will hold presidential election on October 4, 2026. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP)
O presidente Lula é candidato à reeleição | Crédito: Miguel Schincariol/AFP

O primeiro turno das eleições presidenciais terminou com 47,03% dos votos para Flávio Bolsonaro (PL) e 45,16% dos votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um resultado que surpreendeu muita gente, embora institutos de pesquisa já sinalizassem que a campanha do senador estava investindo na narrativa do voto útil na reta final, promovendo uma migração de votos de candidatos não competitivos.

A escolha do eleitorado para compor o Congresso Nacional, com avanço de representação do PL, partido hoje que é a expressão do bolsonarismo, também deu ao Brasil um recado para o próprio sistema político atual.

Ao BdF Entrevista, Juarez Guimarães, professor de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do Conselho Curador do Instituto Perseu Abramo, avalia que o país vivencia uma forte instabilidade na qual “as duas candidaturas principais à presidência do país não estavam conseguindo organizar uma maioria clara e estável”.

Segundo Guimarães, contudo, o crescimento de Flávio Bolsonaro se dá por alguns aspectos que contribuem para o que ele define como resiliência do bolsonarismo. Um deles provém da naturalização que a candidatura de Flávio tem, já que ele parece imune a todo o tipo de revelação de envolvimento em escândalos e corrupção.

“É uma brutal normalização da candidatura do Flávio Bolsonaro diante da já amplamente documentada interação com circuitos do crime organizado, e também de corrupção, além de toda a herança que recebeu da família Bolsonaro, e da tentativa de golpe contra a democracia”, afirma.

Outro ponto citado pelo analista é a forte “máquina de desinformação digital”, articulada internacionalmente, enquanto a esquerda enfrenta dificuldades devido à insatisfação popular com a situação econômica. Há uma estrutura articulada de poder e redes digitais que “organiza esses movimentos eleitorais bruscos que as pesquisas não conseguem captar”, continua o professor. Somado a isso, de acordo com Guimarães, “havia um elemento de subestimação importante da força política do bolsonarismo” desde o início da campanha.

Para que Lula consiga reverter o quadro e vencer no segundo turno, Juarez Guimarães defende uma inflexão na postura e uma reconexão direta com as demandas da classe trabalhadora e de quem decidiu não ir votar ou anulou. “O nosso discurso está aquém das aspirações do povo brasileiro”, reflete.

Segundo ele, é também preciso garantir a redução das abstenções e apresentar uma agenda de futuro compatível com a busca por esperança. “Nós temos que trazer mais gente para votar. Atuar, principalmente, nesse imenso contingente de pessoas que não foram votar, ou se abstiveram, ou anularam seu voto. É um contingente muito importante. Em segundo lugar, nós temos que aumentar a rejeição e o medo a uma possível vitória do Flávio Bolsonaro”, cita.

“Eu penso que há questões fundamentais que nós deveríamos trabalhar. A primeira delas é a campanha tem que prometer, e tem legitimidade para isso, um futuro novo para o Brasil, através de uma proposta geral de construção de um Estado do bem-viver no Brasil”, defende.

Entre as propostas centrais para mobilizar as ruas, ele lista o fim da escala 6×1 sem redução salarial, a implementação da tarifa zero no transporte público e o enfrentamento das altas taxas de juros para que a população volte a ter uma percepção de retomada do poder de compra. “Isso deve ser contraposto de maneira muito concreta ao programa do Flávio Bolsonaro, que incide exatamente no sentido oposto a esse, contra os direitos das classes populares, de uma forma extremamente destrutiva”, conclui.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Rafaella Coury

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