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‘Bolsonarismo conquistou Sul e Sudeste’: cientista político analisa rearranjo de governos estaduais a partir de 2027

Cláudio Couto analisa controle do Executivo no Sul e Sudeste pela oposição, encolhimento do Centrão e governabilidade

Valter Campanato / Agência Brasil
Como ficam os estados brasileiros após as eleições? | Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato derrotado, senador Flávio Bolsonaro (PL), fugiu e já está em solo estadunidense, deixando a extrema direita e seus apoiadores para trás.

Enquanto Flávio realiza movimentações golpistas em Miami, a maioria dos governos dos estados brasileiros será, a partir de 2027, ocupada pela direita e pelos bolsonaristas. O avanço da extrema direita, representada pelo PL no Congresso Nacional, também indica alguns desafios para a governabilidade de Lula no próximo ano.

Ao BdF Entrevista, o cientista político Cláudio Couto aponta que o PT manteve sua força no Nordeste com quatro governos, enquanto o bolsonarismo conquistou um domínio amplo no Sul e Sudeste, garantindo o Executivo de todos os estados dessas duas regiões. O Republicanos saiu fortalecido ao assumir estados de expressivo peso econômico e demográfico, como São Paulo, com a reeleição de Tarcísio de Freitas, e Minas Gerais, com Cleitinho. O PSD manteve o comando de cinco estados, com destaque para a reeleição de Raquel Lyra.

Já o União Brasil não elegeu nenhum governador, e o PSDB ficou restrito a apenas duas administrações. “O PSDB é um morto-vivo. O fato de ter eleito dois governadores, eu diria, explica-se muito mais pelos governadores do que pelo PSDB. Basta olhar para a bancada do PSDB no Congresso. O PSDB se descaracterizou por completo”, avalia.

Houve, segundo Couto, uma reorganização das forças políticas nacionais, marcada pelo ascenso de partidos como o PL no lugar de legendas mais tradicionais da centro-direita. “Quem sai perdedor nessa eleição é o Centrão. Os partidos do chamado Centrão diminuíram de tamanho no Congresso Nacional, ainda que tenham conquistado governos importantes nos estados”, aponta. “No nível federativo, portanto, há uma posição muito mais favorável a essa direita bolsonarista do que a essa esquerda”, resume. 

O cientista político ponderou que, apesar do avanço da oposição radical, a construção de maiorias para aprovação de projetos de lei pelo governo federal permanecerá viável por meio de negociações com parcelas do Centrão. “Emendas constitucionais são um pouquinho mais complicadas, porque o quórum é mais alto, mas projetos de lei sim, e dá para resistir a tentativas de impeachment, a tentativas de inviabilizar o governo, mas tende a ser também um trabalho muito mais difícil do que foi já nesse período, por conta desse aumento da ultradireita”, destaca.

Na visão de Cláudio, a despeito do tom belicoso adotado por setores extremistas, a relação entre o Palácio do Planalto e os governadores de oposição tende a manter um padrão republicano de diálogo. “Lula é profundamente institucional, Lula opera o tempo inteiro dentro da lógica das instituições políticas, respeitando a institucionalidade, a separação de poderes, a divisão entre os entes federativos”, argumenta.

O cientista político observa que líderes estaduais de postura mais moderada buscarão pontes de convivência institucional com o Executivo, ao mesmo tempo em que a direita iniciará disputas internas pelo espólio político da oposição rumo a 2030. “Não sei se Tarcísio já está nesse barco, porque Tarcísio estava com o bolsonarismo até agora. Já fez juras de lealdade ao bolsonarismo diversas vezes. Assumiu um discurso muito agressivo contra o presidente Lula nessa campanha. Embora seja perfeitamente plausível imaginar que ele vai fazer um movimento mais ao centro para se mostrar um político de uma direita moderada, de uma direita civilizada, que é desejável que a gente tenha numa democracia. Hoje não existe, porque de um lado está a direita puramente fisiológica do Centrão, de outro lado, a ultradireita bolsonarista”, conclui.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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