O Brasil de Fato lança nesta quinta-feira (13) o documentário “Queimar os céus: Fidel e Cuba Socialista”, realizado por Rodrigo Chagas, Igor Carvalho e Gabriel Vera Lopes. O título faz referência ao músico cubano Silvio Rodriguez, cuja música “La Era Está Pariendo Un Corazón” fala sobre “queimar os céus” como metáfora para fazer tudo que for possível pela revolução.
A data, 13 de agosto, marca o centenário do líder revolucionário Fidel Castro e mostra a atual realidade cubana, que vive um dos momentos mais difíceis do histórico bloqueio imposto pelos Estados Unidos desde a década de 1960. O filme será disponibilizado gratuitamente no canal do Brasil de Fato no YouTube.
“[Queimar os céus] É um pouco do que Cuba precisa fazer hoje para ‘tirar as patas do Império [estadunidense] de cima’, fazer o impossível, encontrar um novo fôlego, conseguir respirar, dinamizando a economia. É o que Cuba está precisando fazer neste momento”, afirma o jornalista Rodrigo Chagas em participação no episódio desta semana de O Estrangeiro, videocast de política internacional do BdF.
Apesar de alguns setores em Cuba, por exemplo, o da biotecnologia, serem extremamente evoluídos, há problemas de infraestrutura que remontam a décadas atrás e se agravaram desde o fim da União Soviética. Mais recentemente, com a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, a ilha foi atingida em cheio em uma de suas maiores fragilidades: perdeu sua principal fornecedora de petróleo.
Chagas relata que, na imersão na realidade cubana para a gravação do documentário, a equipe testemunhou os resultados deletérios da asfixia energética promovida pelo governo Donald Trump. “Sem petróleo, não tem como produzir energia suficiente, ainda mais para o consumo que se tem em uma grande cidade. Pelo fato de não haver energia elétrica, a água não chega em muitos lugares. As pessoas ficam sem água em casa por longos períodos. Há um cerceamento a coisas que são muito básicas na vida urbana. Esse cerco energético vai transformando situações corriqueiras da vida das pessoas em uma batalha muito difícil”, conta.
O transporte público, segundo o jornalista, foi cortado, e as pessoas têm dificuldades de se deslocar nas cidades. “Muitos dos espaços de trabalho colocam home office, justamente para não exigir do trabalhador sacrifícios muito grandes. Dessa forma, os espaços de sociabilidade e de construção de saídas para esses bloqueios vão sendo rompidos”, avalia.
O impacto econômico do bloqueio a Cuba, só no ano passado, foi da ordem de quase US$ 8 bilhões, um recorde histórico. “E esse impacto é em um país pequeno, de história subdesenvolvida. Não é como se eles tivessem feito a revolução em um país de bases sólidas construídas. Essa era, aliás, uma obsessão do Fidel: construir forças produtivas, qualificar o trabalho, tecnificar o trabalho para construir uma autossuficiência. Só que o tempo do capitalismo corre contra o tempo do socialismo.”
Confira a entrevista completa abaixo:
Para ouvir e assistir
O podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas-feiras às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.
