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Conselho de Segurança da ONU finaliza reunião sobre ataque do Irã a Israel sem avanços

Tel Aviv esperava que Teerã recebesse condenações, sanções e tivesse seu exército considerado como 'terrorista'

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Sessão, marcada por trocas de acusações, foi encerrada sem uma declaração comum entre os países - Wikicommons

Apesar de Israel esperar uma condenação do Irã por parte do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) por seu ataque efetuado na madrugada deste domingo (14/04), a sessão foi finalizada sem nenhum tipo de condenação, documento final ou sanções contra Teerã.

A falta de avanço é consequência da falta de consenso entre os países membros da organização, que têm poder de veto nas resoluções sugeridas: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.

A reunião não previa a votação de uma resolução, mas era esperado que o Conselho emitisse ao menos um posicionamento oficial sobre o ataque de 300 drones e mísseis dirigidos do Irã ao território israelense.

No entanto, a sessão, marcada por trocas de acusações, foi encerrada sem uma declaração comum entre os países.

Enquanto Israel exigia condenação, sanções e classificação do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (Exército do Irã) como uma “organização terrorista”, também comparou o governo do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ao de Adolf Hitler.

Por sua vez, o embaixador do Irã na ONU, Amir Iravani, chamou Israel de “criança mimada”, mais uma vez argumentando que sua ação foi em resposta ao ataque que Tel Aviv promoveu contra a Embaixada iraniana na Síria, em 1º de abril.

“Objetivos atingidos” e negativa à escalada do conflito

Segundo o exército israelense, “99% dos ataques” do Irã direcionados ao país na noite do último sábado (13/04) foram interceptados pelo sistema de defesa, conhecido como Domo de Ferro, e por bases de aliados estratégicos na região, como os Estados Unidos, a Jordânia e o Reino Unido.

Direcionados ao Sul de Israel, a mais de mil quilômetros do Irã, os projéteis levaram horas para se aproximar do território israelense, e até às 5h45 do domingo (23h45 em Tel Aviv). Segundo as Forças Armadas, foram praticamente todos interrompidos, classificando os resultados da ação como “danos mínimos”.

Segundo a imprensa local, ao menos 31 pessoas, incluindo um menino de 10 anos e uma menina de 7, ficaram gravemente feridos por estilhaços devido ao ataque noturno. Uma base da força aérea ao Sul de Israel, em Nevatim, foi levemente atingida, mas opera normalmente.

Por sua vez, o chefe das Forças Armadas do Irã, Mohammad Bagheri, declarou na manhã deste domingo (14/04) que o ataque de drones contra Israel “atingiu todos os seus objetivos” e que Teerã não tem “nenhuma intenção” de prosseguir com a ofensiva, contrariando uma possível escalada do conflito na Faixa de Gaza.

O êxito da operação foi reiterado pelo chefe das forças armadas iranianas, Hossein Salami. O comandante também classificou a ação como “bem sucedida e proporcional às maléficas ações israelenses, mesmo que pudesse ter sido mais extensa”, acrescentou.

No entanto, o comandante alertou para que Tel Aviv não contra-ataque os disparos: “se Israel atacar os interesses, bens, personalidades ou cidadãos do Irã no futuro, atacaremos novamente o regime sionista a partir do território iraniano”.

Já o presidente iraniano, Ebrahim Raïssi, declarou, por meio das redes sociais, que a ação de “ataque a algumas bases militares do regime ocupante [de Israel]” foi “bem sucedida” e correspondeu à “legítima defesa do Irã”.

“Advirto que qualquer nova aventura contra os interesses da nação iraniana encontrará uma resposta mais pesada e lamentável”, completou o mandatário.

Os ataques do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (como são conhecidas as Forças Armadas do Irã, cuja sigla é IRGC), confirmados pela agência estatal iraniana IRNA, pelas autoridades israelenses e pelos Estados Unidos, envolveram o disparo de 300 drones militares, sendo 100 mísseis balísticos e de cruzeiro.