Memória da Revolução

China: Brasil de Fato lança série documental sobre a Longa Marcha, 90 anos depois da vitória

Série percorre partes da marcha que mudou o rumo da revolução chinesa e traz vozes de especialistas e descendentes

Zhu Zhu, diretora do Departamento de Ópera, Música e Dança do Centro Cultural do Condado de Yudu, na província de Jiangxi. Ela interpreta uma soldada do Exército Vermelho na obra "A Despedida", apresentada às margens do rio Yudu, onde a Longa Marcha iniciou. 15 de setembro de 2026
Zhu Zhu, diretora do Departamento de Ópera, Música e Dança do Centro Cultural do Condado de Yudu, na província de Jiangxi | Crédito: Jiang Chenxing/Brasil de Fato

O Brasil de Fato lança, neste mês, “Como a Longa Marcha forjou a Nova China”, em cinco capítulos gravados nas províncias de Jiangxi, Guizhou e Gansu, e na Região Autônoma de Ningxia. A série começa em Ruijin, onde foi instaurada a Base Central Soviética de 1931 a 1934, como centro da República Soviética da China, a primeira experiência de governo criada pelo Partido Comunista da China (PCCh).

A Longa Marcha do Exército Vermelho de Operários e Camponeses, braço armado do PCCh, durou dois anos, de outubro de 1934 a outubro de 1936, e passou pelo território de 14 províncias. Sob um cerco crescente do Kuomintang, Partido Nacionalista da China, o exército decidiu romper o bloqueio a Ruijin. O objetivo era reorganizar as forças no oeste da província de Hunan, mas os planos foram mudando em função das condições da guerra e as rotas precisaram ser refeitas várias vezes. A coluna mais longa percorreu mais de 12 mil quilômetros; somando as quatro forças principais do exército (a 1ª Frente, 4ª Frente e a 2ª Frente, formada pelo 2º e 6º Corpos, e o 25º Exército Vermelho), o percurso passou de 30 mil quilômetros.

Em 1934, Sun Daofa saiu do vilarejo de Tantou, em Yudu, província de Jiangxi, para se somar ao Exército Vermelho. Ele foi uma das dezenas de milhares que morreram na primeira grande batalha da Longa Marcha, no rio Xiang. Seu filho, Sun Guanfa, é um dos 20 entrevistados da série, junto a pesquisadores do Instituto Central de História do Partido e do memorial da Conferência de Zunyi, trabalhadoras dos memoriais de Ruijin, Lazikou e Huining e atores e atrizes de “A Primeira Travessia da Longa Marcha”, a primeira superprodução do turismo vermelho chinês, em cartaz desde março de 2023 no Grande Teatro da Longa Marcha de Yudu.

Nas entrevistas, os entrevistados falam sobre o que é conhecido atualmente como Espírito da Longa Marcha, o legado dessa façanha para a construção do país, o que o Partido Comunista e o Exército Vermelho aprenderam sobre a China que atravessavam, e como a própria Longa Marcha foi uma parte essencial do processo de construção de ambos. Assim, a marcha foi desenvolvendo e implementando a abordagem sobre a diversidade étnica do país, e o pensamento militar e político de Mao Zedong.

Em novembro de 1931, o congresso de Ruijin aprovou a Lei Agrária, que confiscou sem indenização as terras dos latifundiários e as distribuiu aos camponeses, marcando a centralidade da questão agrária para a revolução chinesa. A redistribuição da terra ia sendo feita por onde a Longa Marcha passava, somando adeptos ao Partido e ao Exército Vermelho.

A 1ª Frente, 4ª Frente e parte da 2ª Frente se encontraram em Huining em 9 de outubro de 1936 e, em 22 de outubro, as lideranças e as principais forças da 1ª e 2ª frentes se encontraram em Jiangtaibao (hoje Ningxia), marcando o fim oficial da Longa Marcha.

A série estreia neste mês no canal do Brasil de Fato no YouTube.

Editado por: Rafaella Coury

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