Bossa Nova

Mosaico Cultural | Antônio Brasileiro: este ano Tom Jobim completaria 90 anos

Compositor criou dezenas de músicas fundamentais para a música brasileira e mundial, como Samba do Avião e Desafinado

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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No mesmo dia de seu nascimento é celebrado o Dia Nacional da Bossa Nova, uma homenagem a um dos principais criadores do gênero / Divulgação

Águas de março, Corcovado, Insensatez, Chega de Saudade, Garota de Ipanema. Estas músicas, que fazem parte da identidade brasileira, são só algumas das grandes obras criadas por Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom Jobim, que completaria neste 25 de janeiro, 90 anos de idade.

No mesmo dia de seu nascimento é celebrado o Dia Nacional da Bossa Nova, uma homenagem a um dos principais criadores do gênero.

No início dos anos 50, o músico começou a tocar em bares no Rio de Janeiro e a trabalhar como arranjador pela gravadora Continental.

Em 1954, Vinícius de Moraes escreveu a peça teatral Orfeu da Conceição e, dois anos depois, foi lançada a trilha sonora da peça, com letras de Vinícius e música de Tom. Este é o primeiro álbum de colaboração entre os dois, e conta com a aclamada canção Se Todos Fossem Iguais a Você.

Já o LP Canção do Amor Demais – composto por Tom e Vinícius, João Gilberto no violão e Elizeth Cardoso como cantora – é tido como o marco do surgimento oficial da Bossa Nova, em 1958.

A parceria entre Tom e Vinícius retorna com a composição Garota de Ipanema, lançada em março de 1963. Esta tornou-se a música mais conhecida da Bossa Nova e conta com inúmeras versões de artistas como Frank Sinatra, Madonna, Sepultura, Amy Winehouse, Roberto Carlos e Caetano Veloso, entre muitos outros. Ao todo, ela foi regravada mais de 240 vezes em diversas línguas.

Tom Jobim era um defensor da natureza e dos bens comuns. Costumava ir ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ouvir o canto dos pássaros e conhecer a diversidade de árvores. No local, em 2008, foi criado o Espaço Tom Jobim, formado pelo Teatro de mesmo nome, o Galpão das Artes e a Casa do Acervo.

O que é que o homem quer? Cortar o mato, escravizar a mulher, matar o índio, taca fogo em tudo né? Realmente a gente tem aqui uma civilização do fogo. O nordeste é zona de grandes matas, né? Foi. E aquilo tudo é deserto fabricado pelas nossas mãos.

Hoje em dia na maior parte de Ipanema, você não vê serra nenhuma, você vê aquela parede de edifícios, um colado no outro, onde nem o ar passa.

Além dos temas ambientais, Tom também mostrava preocupação com as questões sociais do país.

O Brasil é de cabeça pra baixo, você sabe né? Persegue o homem de bem, e o homem de mau, ele deixa solto. O Brasil não importa os pianos, mas importa as metralhadoras. Então, tem as metralhadoras belgas, as tchecoslovacas. As metralhadoras de Israel dizem que são as melhores: mata todo mundo. Eu perguntei pra um sujeito: Mas por que que não importa pianos? Por que não serve pra nada, um piano pra quê né? (Risos).

Mosaico Cultural

Locução: Norma Odara

Produção: Mauro Ramos

Sonoplastia: Adilson Oliveira

Sonoras de Tom Jobim extraídas do programa do Bar Academia (TV Manchete) e entrevista de Marilia Gabriela a Tom Jobim no Canal Livre