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Suassuna era defensor de uma cultura popular dinâmica, diz pesquisador

Escritor completaria 90 anos este ano e deixou rico legado para o país

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Escritor Ariano Suassuna / Lello Santana

"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”. E assim dizia um dos maiores escritores do Brasil,  responsável por incentivar a valorização da cultura popular brasileira.

Ariano Suassuna é natural de João Pessoa, Paraíba, mas foi em Pernambuco onde iniciou seus estudos acadêmicos e artísticos, quando mudou-se para Recife em 1942. Formado em Direito, é autor de obras consagradas como O Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino, ambas transformadas em série televisiva. 

Com a intenção de resgatar a cultura popular, principalmente do Nordeste do Brasil, Suassuna criou em 1970 o Movimento Armorial, que foi uma organização de artistas em busca da construção de uma música erudita nordestina oriunda de raízes populares.

O movimento abrangeu diversas formas de manifestação artística como pintura, música, literatura, dança e teatro, como explica Carlos Newton, professor da Universidade Federal de Pernambuco, autor do livro Almanaque Armorial e pesquisador das obras de Suassuna: “Se você analisar O Auto da Compadecida, que é de 1955, ela é toda baseada na cultura popular, no caso, na literatura de cordel. Ele queria mostrar para os jovens artistas brasileiros que existia um filão na nossa cultura pouco explorado por eles“. 

A bandeira de Suassuna era a defesa da nossa cultura raiz, o que resultou em críticas ao escritor em relação à um certo “aprisionamento” da arte brasileira. Suassuna foi criado no sertão e seu primeiro contato com a cultura nordestina se deu pela literatura de cordel: “Ele tem vários textos sobre cultura popular e geralmente as pessoas falam isso sem ter lido, se você ler você vê que ele não tem essa visão. Ele achava a cultura popular extremamente dinâmica e viva, não tinha ideia de colocar em uma redoma”. 

Só na dramaturgia, possui um conjunto de mais de quinze peças, entre elas,  A Pena e a Lei e A Farsa da Boa Preguiça, que mostram uma visão abrangente da arte brasileira. Segundo pesquisador, o legado de Ariano Suassuna é considerado obra prima para a nossa cultura e foi muito importante para a construção e resgate da nossa identidade cultural.

Edição: Anelize Moreira