Agroecologia

Produção agroecológica se expande no sul de Minas Gerais

Cana, feijão e milho são destaques da produção deste ano em acampamento e assentamentos do MST

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Produção de cana chega a 5 toneladas e é usada para produção de açúcar mascavo e rapadura orgânicos / Arquivo/ABr

Em 2014 eram 12 famílias certificadas como produtoras orgânicas no Sul de Minas Gerais.

Passados quatro anos, já são 36 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que produzem de forma agroecológica nessa região do estado. 

"A gente vai conseguir produzir 5 toneladas de derivados de cana, açúcar mascavo e rapadura orgânico. Quase uma tonelada de feijão azuki e uma tonelada de feijão carioca. Três e meia tonelada de milho crioulo."

Essa é Tuíra Tule, dirigente regional do setor de produção do MST no sul de Minas Gerais. Ela lista a estimativa de produção deste ano das famílias organizadas em cooperativas e associações.

São acampamentos e assentamentos do movimento sem terra que tem transformado essa região do estado com uma produção livre de venenos.

Renato Moreira de Souza, de 35 anos, mora no Assentamento Santo Dias, no município de Guapé. Ele conta que o processo participativo de certificação agroecológica, que é feito pela Orgânicos Sul de Minas, ajudou a valorizar a produção e convencer mais famílias assentadas a adotarem este modelo. 

"Depois que a gente conseguiu a certificação, começou a ficar interessante economicamente também. Você ter um produto diferenciado, mas não ser reconhecido no mercado não resolve nada. É muito mais trabalho. Não usa nenhum adubo químico, usa só as coisas orgânicas e manejo de enxada, bem manual, então o trabalho é dobrado. Pessoalmente, para a família, trabalhar junto, para a saúde, isso não tem nem comparação." 

Renato destaca os benefícios do manejo agroecológico do ponto de vista da saúde.

"Eu sei de muita gente que se intoxica mesmo. O produtor tá na base da cadeia produtiva, então se chega no consumidor o produto químico através do alimento, quem dirá o produtor que passou o produto químico no alimento."

De acordo com Tuíra, as famílias agora trabalham para ter autonomia nos insumos da produção.

"O nosso grande desafio é a construção de uma fábrica de composto orgânico. Aproveitando aquilo que a gente tem, a palha do café, do feijão, o esterco do gado para fabricar os nossos próprios insumos e não ter dependência do mercado de fora." 

Ainda como forma de fortalecer a agroecologia, para se livrar dos pacotes contaminados do agronegócio, as famílias atuam também na produção e comercialização de sementes. 

Edição: Brasil de Fato