Brasileirão

PAPO ESPORTIVO | O arbitro de vídeo e a hipocrisia dos nossos dirigentes e torcedores

Dirigentes querem o VAR nas últimas rodadas do Brasileirão em nome da "lisura" e da "moralidade". Será?

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Árbitro de vídeo na final da Copa do Brasil 2018 / Staff Images / CBF

Todos que acompanham essa reta final do Brasileirão já devem estar por dentro da última polêmica. Cansados de serem prejudicados pelos erros de arbitragem, dirigentes de vários clubes do país pediram à CBF que o árbitro de vídeo (o VAR) fosse utilizado nas últimas rodadas da competição. A entidade que comanda o nosso futebol alegou dificuldades técnicas para a implantação do recurso ainda em 2018.

Tenho que confessar pra vocês que essa história me incomoda demais. Não pelo VAR. Acho que a tecnologia deve ser usada para deixar o jogo mais justo. O problema é a maneira com a qual o árbitro de vídeo vem sendo reivindicado pelos clubes. Esse movimento foi encabeçado pelo presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, e contou com forte apoio dos clubes que disputam o Brasileirão. O dirigente colorado falou horrores por conta do pênalti que originou o gol de empate contra o Vasco no dia 26 de outubro. Só que o mesmo Marcelo Medeiros não se pronunciou quando a mesma arbitragem que ele critica assinalou penalidade no mínimo duvidosa no jogo contra o Atlético-PR no último domingo (4).

É aí que está o X da questão, amigos. Nossos dirigentes esperneiam quando seus clubes são prejudicados pelos homens do apito e se calam quando são beneficiados. Essa é a lei no futebol tupiniquim. E o mesmo se aplica aos torcedores. O papo é sempre o mesmo. Se meu time vence com a ajuda da arbitragem, frases como “chupa”, “chola mais” ou “roubado é mais gostoso” são utilizadas por muitos para diminuir e ridicularizar a reclamação do rival. Se ele é prejudicado, todos (dirigentes e torcedores) falam em moralização do esporte e roubo além de se transformarem nos mais novos “paladinos da justiça” da cidade.

Quem acompanha o futebol sabe muito bem que o prejudicado de hoje é o beneficiado de amanhã e que arbitragem mundial precisa de muitos ajustes para se adequar a esse momento. Nos anos 1970, as partidas eram transmitidas pela TV com no máximo duas câmeras. Hoje você vê partidas com drones captando ângulos que jamais foram vistos dentro de campo. Ao mesmo tempo, vale lembrar que quem opera o VAR é humano como eu e você. Os erros podem diminuir, mas ainda vão acontecer.

Eu só lamento que essa discussão sobre lisura e moralização do futebol só apareça em momentos como esse. Infelizmente, o VAR se transformou em mais um instrumento de exercício de hipocrisia. Tanto de dirigentes como de torcedores.

Botafogo e Flamengo fazem o clássico da incerteza

O clássico deste sábado (10) pode definir muita coisa para flamenguistas e botafoguenses no Brasileirão. Os primeiros ainda sonham com o título brasileiro. Já os comandados de Zé Ricardo ainda brigam contra o rebaixamento e também precisam da vitória. Um empate seria desastroso para as pretensões de Flamengo e Botafogo no Brasileirão.

Vasco vai ter que se superar contra o Grêmio

O jogo contra o Grêmio fora de casa é vital para o Vasco. Tudo bem que a vitória no clássico contra o Fluminense deu um certo fôlego, mas o time ainda precisa se superar e mostrar muito mais futebol se não quiser ser rebaixado. Além disso, a dependência de Maxi López está cada vez mais escancarada. Problema para Alberto Valentim.

É hora do Fluminense dar a volta por cima

Não é impossível, mas ficou muito complicado. O Fluminense precisa de uma vitória por três gols de diferença em cima do Atlético-PR para avançar para as finais da Copa Sul-Americana. No domingo (11), o adversário é o Sport. Uma vitória convincente seria muito bom para levantar o moral da equipe depois do revés contra o Furacão. A conferir. E já chega de errar né, Fluzão?

Grande abraço e até a próxima!

 

Edição: Brasil de Fato (RJ)