Grupo Boi Luzeiro mistura resistência, valorização dos ritmos e mestres populares

Imagem do logo do Podcast

Ouça o áudio:

O projeto é preenchido de composições autorais que falam da terra, do rio, dos sentimentos, do sertão, do corpo e da natureza.
O projeto é preenchido de composições autorais que falam da terra, do rio, dos sentimentos, do sertão, do corpo e da natureza. - Mariana Fonseca Laterza
São músicas-manifesto que defendem a vida, e denunciam crimes contra a humanide

Folia de reis, congado, maracatu, boi do Maranhão, carimbó e samba são ritmos presentes nas músicas do grupo Boi Luzeiro, que desde julho de 2017 se apresenta em circuitos culturais de Belo Horizonte. O nome foi inspirado no grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado.

Formado por seis integrantes que cantam e estudam a cultura popular – Militani de Souza na voz, violão e viola caipira, João Vitor Romano no violino e voz, Pedro Pessoa, Anna Luiza Magalhães, Laís Fernandino e Sara Marques na voz e percussão) – o grupo foi se juntando e trazendo também conhecimentos das artes visuais, do design de moda e gráfico, da arquitetura, da geografia e da música erudita.

Como resultado, canções que exaltam tradições que vem sendo perdidas com o avanço da indústria da música e com a política retrógrada que retira direitos, ameaça quilombos e que destrói o Ministério da Cultura. “Uma coisa que eu defendo é isso: a gente está se fortalecendo para poder não deixar que acabe de uma vez. Porque se não tiver união, de quem estuda, de quem é da raiz, acaba da noite para o dia. A arma que a gente tem é a arte, é um instrumento na mão, um microfone para gente poder falar. E falar da importância de cada espaço, cada grupo, cada nação, cada quilombo”, conta Militani.

Música é manifesto, os ritmos são resistência

Militani compõe as letras no violão, leva para o grupo, que ajeita a melodia, insere mais instrumentos e finaliza a obra. As poesias dizem sobre as belezas do “ser-tão” de Guimarães Rosa, do canto da cigarra, da saudade e da simplicidade do ser humano imerso em paisagens rurais e urbanas.

São músicas-manifesto que defendem a vida, mas que também denunciam crimes contra a humanidade. “Ictiofauna” traz em sua letra a lembrança dos peixes que se acabaram depois que a lama da Samarco tomou conta de todo o rio Doce. Depois de Brumadinho, em que a lama da Vale destruiu centenas de vidas em toda a bacia do rio Paraobepa, nasceu a canção “Não Vale Nada”: “o que era farturento, a lama transformou em miséria”, diz um trecho. “Eu fico muito triste em falar desse assunto. Mas o vento sabe o que sopra no ouvido da gente”, relata Militani.


*Reportagem de Larissa Costa

Edição: Guilherme Henrique