Coluna de Ciências | Olá, buraco negro!

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Com Ciência

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Como ver algo que não emite luz? Que, ao contrário, atrai para si toda a luz que se aproxima dele? / Foto: Nasa
Imagem reforça a teoria de Einstein, pois está de acordo com as previsões que o físico fez há mais de um século

É óbvio que na coluna de hoje eu não poderia falar de outro assunto. Sim, finalmente vimos um buraco negro! O dia 10 de abril de 2019 ficará marcado na história da ciência pela divulgação da fantástica imagem acima.

Em 1915, Albert Einstein formulou sua Teoria da Relatividade Geral. Por meio dela entendemos que a massa de qualquer corpo gera uma deformação na estrutura do espaço-tempo. Quanto maior a massa do corpo, maior a deformação. É isso que cria o que percebemos como gravidade.

Se uma região suficientemente pequena do espaço concentrar uma quantidade enorme de massa, a deformação do espaço-tempo criada será grande o suficiente para que nem a luz consiga escapar de sua atração. Essa região recebe o nome de buraco negro.

O surgimento dessas regiões superdensas do espaço é possível quando, por exemplo, estrelas com massa muito grande entram em colapso. Acredita-se que no centro de toda galáxia exista um buraco negro supermassivo.

É possível perceber indiretamente a existência deles ao observar que a trajetória de estrelas é alterada por certas regiões do espaço onde, aparentemente, não existe nada. Na verdade, há ali um buraco negro. Mas, como ver algo que não emite luz? Que, ao contrário, atrai para si toda a luz que se aproxima dele?

Tal feito foi alcançado por um grupo de mais de 200 pesquisadores. O projeto “Telescópio do Horizonte de Eventos” usou oito radiotelescópios espalhados pelo mundo para criar um supertelescópio virtual do tamanho da Terra. Com algo tão grande foi possível coletar 5 milhões de gigabytes de informação e montar digitalmente a já famosa imagem.

O buraco negro em questão se localiza no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra. Possui uma massa equivalente à de 6,5 bilhões do nosso Sol. Os dados foram coletados durante cinco dias de abril de 2017. Ou seja, levou dois anos para serem “traduzidos”.

O que vemos na imagem na verdade é o disco de acreção em torno dele, e não o buraco negro em si. Ou seja, sabemos que ele está ali no meio, apesar de só conseguirmos ver sua sombra.

A imagem obtida reforça a teoria de Einstein, pois está de acordo com as previsões matemáticas que o físico fez há mais de um século.

O mesmo projeto também coletou dados do buraco negro localizado no centro de nossa galáxia, a Via Láctea. Conhecido como Sagittarius A*, o “nosso” buraco negro está bem mais perto, a apenas 26 mil anos-luz da Terra. É provável que nos próximos anos tenhamos uma imagem também dele! E aí, ansioso?

Um abraço e até a próxima!

Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais.

 

Edição: Joana Tavares