PAPO ESPORTIVO | Algumas ponderações importantes sobre a Seleção Brasileira

Imagem de perfil do Podcast
Papo Esportivo

Ouça o áudio:

A Seleção Brasileira se garantiu na final da Copa América após vencer a Argentina por 2 a 0 na terça-feira (2) / Lucas Figueiredo / CBF
Sou fã do Tite, mas os resultados não podem maquiar os problemas da equipe

Bom, você já sabe que a Seleção Brasileira venceu a Argentina por 2 a 0 nesta terça-feira (2) e se classificou para a decisão da Copa América. Em cinco edições disputadas aqui no Brasil, o escrete canarinho sempre foi campeão. Os comandados de Tite já marcaram dez gols e não foram vazados nas cinco partidas disputadas na competição continental.

Quem vê esses números pode pensar, num primeiro momento, que a Seleção Brasileira está às mil maravilhas, que o time está jogando bem e que caminhamos céleres para mais um título incontestável.

Bem…Não é bem assim, meu caro amigo. Algumas coisas no velho e rude esporte bretão costumam ser maquiadas pelos resultados e pelos números.

Quem viu o jogo contra a Argentina e as demais partidas da Seleção na Copa América deve ter notado que o time joga um futebol bem abaixo daquele apresentado nas Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia. Nem tanto pelos jogadores chamados por Tite, mas pelo esquema e pela proposta de jogo do treinador. Tirando Éverton Cebolinha (um dos poucos que tenta o drible na equipe brasileira), os jogadores estão estáticos demais em campo. Quase não há variação no posicionamento, as triangulações e tabelas são vistas com preocupante raridade e o time só “engrena” na base do talento individual, algo que, graças a Deus, ainda temos de sobra por essas bandas.

É aí que entra Tite. O treinador da Seleção Brasileira passa a impressão de estar completamente preso a seus conceitos (ponto esse que explicaria a sua insistência em determinados jogadores) e parece ter medo de arriscar. Gabriel Jesus (jogador muito subestimado pela grande imprensa na humilde opinião deste colunista) vem sendo sacrificado no lado do campo. Firmino não rende aquilo que rende no Liverpool. Philippe Coutinho (ainda que em má fase) não consegue ser o “camisa 10”, o organizador de jogadas que a Seleção tanto precisa. E Arthur parece jogar sem uma função determinada na equipe brasileira.

O único ponto positivo da Seleção nessa Copa América tem sido o sistema defensivo. Marquinhos, Thiago Silva e Alisson estão realmente num grande momento. Mas é só isso. Aquele futebol eficiente das Eliminatórias ficou pra trás. Primeiro porque Tite segue preso aos seus conceitos e convicções e depois porque falta um pouco mais de ousadia para pensar em algo fora da caixinha.

Não me levem a mal. Sou fã do trabalho de Tite e defendi a sua permanência na Seleção Brasileira. Mas os bons resultados não podem maquiar os problemas do time. Dá pra conquistar a Copa América? Sim. Mas vale lembrar também que o time enfrenta dificuldades enormes diante de defesas bem armadas. As partidas contra a Venezuela e o Paraguai estão aí pra contar essa história.

E aí entra a grande preocupação. Como será que Tite está pensando o time para as Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar? O nível e as cobranças serão muito mais altos do que o que eu e você vimos nessa Copa América. Como o time vai se comportar? E Neymar? Seguirá recebendo as passadas de pano do treinador e principal comandante da Seleção Brasileira? Enfim…

Não será surpresa se o Brasil conquistar a Copa América nesse domingo (7). Mas se falhar na sua missão, as coisas podem ficar realmente complicadas para Tite e seus “Blue Caps”.

E O PERU SERÁ O ADVERSÁRIO DO BRASIL

A atuação do Peru na vitória por 3 a 0 em cima do Chile foi simplesmente sensacional. Guerrero, Trauco, Yotún, Flores e Gallese não deram chances ao badalado e acomodado selecionado chileno e trataram de praticamente despachar o adversário ainda no primeiro tempo. Esqueçam o time que foi goleado pelo Brasil na fase de grupos. A postura do Peru na grande final de domingo (7), no Maracanã, será completamente diferente. O técnico Ricardo Gareca sabe bem o que faz, tem o time na mão e já deve estar ciente dos pontos fracos da Seleção Brasileira. Com o perdão do trocadilho infame, o Peru vai fazer um jogo muito duro contra o escrete canarinho. É bom abrir o olho hein…

Edição: Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)