EDUCAÇÃO

Professores estaduais do RJ reclamam de desconto no salário por causa da greve

Na próxima terça-feira (23), o Sepe fará uma reunião com o governador interino para tentar negociar a decisão

Rio de Janeiro (RJ)

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De acordo com o Sepe, a medida foi tomada como forma de reprimir os profissionais em greve / Fernando Frazão/ Agência Brasil

Os professores da rede estadual de ensino estão pressionando o governador interino, Francisco Dornelles, para conseguir a restituição dos descontos realizados nos pagamentos de junho. Neste mês, os servidores em greve tiveram mais que a metade dos seus salários reduzidos devido aos dias de paralisação. O total do desconto foi equivalente a 17 dias. Uma reunião com o governador interino está marcada para a próxima terça-feira (26) como uma tentativa de negociar a decisão.

Não há uma legislação específica sobre direito de greve dos servidores públicos. Mesmo assim, o Supremo Tribunal Federal (STF) considera que greve não é falta grave. Quando o movimento teve início no Rio, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ) havia conseguido uma liminar que impedia o corte do ponto dos professores. Porém, essa liminar foi derrubada pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ/RJ). Dessa forma, o Governo do Estado passou a ter o poder de decisão de descontar ou não os servidores.

De acordo com o Sepe, a medida foi tomada como forma de reprimir os profissionais em greve. Para uma professora da rede estadual, que preferiu não se identificar, a represália do governo piorou uma série de barbaridades que já vêm acontecendo nos últimos meses, com os atrasos e parcelamento dos salários dos servidores.

“Eu recebi apenas R$ 320, de um total de R$1179. Está muito difícil, ainda mais para os que dependem do salário exclusivamente. Estamos recorrendo às nossas famílias, pegando empréstimos, utilizando cheque especial. Todos estão com contas atrasadas”, afirmou.

Segundo a professora, após os descontos terem sido reclamados pelos professores, o Governo do Estado declarou que quem saísse da greve receberia o valor abatido. Em assembleia realizada na última quinta-feira (21), os professores resolveram manter o movimento. O Sepe esclareceu também que está tomando medidas judiciais cabíveis contra os descontos.

“Não só pelos descontos, mas por tudo que estamos passando, decidimos manter a greve. Na última semana, quase perdemos a estabilidade dos servidores estaduais. Não podemos deixar que o governador faça o que bem entender com a gente”, acrescentou a professora.