CRISE ECONÔMICA

Ricos não querem pagar impostos

Estima-se que os maiores sonegadores de impostos no Brasil são as grandes empresas.

Rio de Janeiro

,
Taxação de grandes fortunas é uma saída para enfrentar a atual crise econômica / Reprodução

Na última quinta-feira (21), a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) convocou os seus associados a participarem de mobilização contra Projeto de Lei que obriga as empresas a devolverem 10% dos incentivos fiscais.

A Firjan é a entidade que representa os empresários do Rio de Janeiro. Aqueles mesmos que exploram o trabalhador oferecendo em troca um salário de miséria. Aqueles mesmos que investiram muita grana para financiar o golpe no Brasil.

Incentivos fiscais são medidas aprovadas pelo estado para que empresas não precisem pagar impostos, ou uma parte deles. Justificam essa medida dizendo que isso atrairá mais empresas e investimentos, gerando mais empregos. Será mesmo?

Um relatório do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCU) aponta que o estado deixou de arrecadar com impostos cerca de R$ 38 bilhões entre 2008 e 2013. Esse valor seria responsável pela crise econômica que o estado passa.

Para além dos incentivos, existe o problema da sonegação fiscal. Estima-se que os maiores sonegadores de impostos no Brasil são as grandes empresas. O rombo gerado pela sonegação seria cerca de sete vezes maior que o estimado pela corrupção. E seriam os pobres a parcela da população que mais paga imposto no Brasil.

Apenas para dar um exemplo, o ex-diretor da Fiesp, que é a irmã paulista da Firjan, possui uma dívida de R$ 6,9 bilhões, valor que supera dívidas de estados como Bahia e Pernambuco.

Qual seria então o motivo da Firjan em protestar contra esse corte do incentivo, senão para as empresas continuarem mantendo lucros enormes e deixando de pagar impostos ao Estado?

O interesse dos ricos e poderosos é sempre o mesmo. Explorar ao máximo os trabalhadores. Sonegar impostos e deixar cair a carga sobre os trabalhadores é uma das muitas formas de fazer isso.

Somente com medidas de taxação de grandes fortunas e das grandes empresas o estado seria capaz de ter uma arrecadação suficiente para enfrentar a crise econômica que estamos vivendo hoje.