ARTE

Além da produção agrícola, Festival da Reforma Agrária contou histórias de vida

Evento teve saldo positivo e reafirmou força da cultura do campo

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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O número de visitantes evidencia apenas um pouco do sucesso do evento / Divulgação / MST

Entre 20 e 24 de julho, mais de 58 mil pessoas passaram pela Serraria Souza Pinto e Praça da Estação, locais que receberam as atrações do Festival Nacional de Arte e Cultura da Reforma Agrária, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O número de visitantes evidencia apenas um pouco do sucesso do evento, que contou com apresentação de produtos da Reforma Agrária, barraquinhas de comidas típicas de várias regiões do país e shows dos músicos Chico César, Flávio Renegado, Titane, Lirinha, Aline Calixto, Xangai, entre outros. 

Na feira, composta por cerca de 1500 trabalhadores, estavam expostos os frutos do dia a dia e trabalho de centenas de assentados e acampados que acreditam no resultado do cultivo sem agrotóxicos. Para o representante do setor de Produção do MST Milton Jornazieri, a mensagem deixada por esses quatro dias é clara: Minas Gerais aprova a questão da Reforma Agrária. A outra é de que alimentar-se é, sim, um ato político.

“Cultivar a terra é um elemento cultural muito forte que a agricultura camponesa passa de geração para geração. E essa feira expressa um pouco do que é a relação com o território conquistado, uma expressão consistente que o agronegócio tenta nos tirar ao monopolizar as ações”, afirma. 

Ele explica também que é a partir do contato com as famílias e com os produtos que muitas pessoas, que não sabem a fundo os princípios do movimento, desfazem preconceitos. “O evento significou abertura de novos mercados, autoestima aos trabalhadores e proporcionou ao público conhecimento sobre os benefícios da Reforma Agrária, que a mídia tradicional mostra de forma negativa”, ressalta Milton.

Muita comida, mas muita música

O festival organizou, ainda, concursos de música e literatura. Mais de 100 canções de 18 estados do Brasil foram inscritas. Vinte delas farão parte de um CD, assim como 60 das 120 poesias recitadas irão compor um livro, que será lançado ainda este ano pela editora Expressão Popular. 

Bruna Gavino, uma das artistas a se apresentar e selecionada para integrar o disco, classificou como “maravilhosa” a experiência de conhecer outros participantes e cantar para um “público que resiste”. A letra da canção “Em cada canto de Minas, o mesmo canto de luta”, segundo a autora, foi criada como tentativa de expressar o que é fazer parte de um movimento social organizado e não se sentir sozinha. 

“A cultura que existe não é só aquela pregada pela indústria. O povo produz, conta sua história de força através da música”, declara a cantora.

Edição: Joana Tavares